CABOCLO D’ÁGUA: NÓS ACREDITAMOS

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    O Caboclo D’água já foi avistado muitas vezes na Região dos Inconfidentes (Zona da Mata mineira). São geralmente as mesmas declarações: um ser bípede, semelhante a um macaco, tem braços com dedos. Ao mesmo tempo tem pele esverdeada, como lagartixa, rosto meio reptiliano. Mas há diferenças nos relatos sobre o formato dos olhos. Alguns falam que são arredondados, mas a maioria diz que são como olhos de répteis, mais finos. Há também a questão do tamanho. A maioria cita um animal mais forte, musculoso, mas há aqueles que veem um animal magro, mais franzino. Claro que de acordo com o medo a gente é influenciado: ele fica mais aterrorizador ou não.

    Sabemos, em Minas Gerais, de pessoas que mudaram de casa, que deixaram de sair à noite, que mudaram de emprego. Os principais indícios para acreditar são corpos de animais mortos (não foram ataques de onça porque foram devoradas somente as vísceras, e sobretudo porque testemunhas viram a criatura comendo).

    Ele foi visto atacando um cabrito na cidade de Acaiaca. Em Barra Longa, ele atacou e matou uma pessoa: os bombeiros estiveram no local, fizeram um boletim de ocorrência e a causa da morte foi dada como “ataque de animal desconhecido”. Há preocupação em Barra Longa, aliás até um vereador já declarou na câmara que viu o Caboclo D’água: contou que a criatura pegou um boi, e que moradores tentaram salvar o animal, mas não conseguiram.

    Já o presidente da câmara de vereadores do município de Diogo Vasconcelos admitiu que chegou a dar um tiro no Caboclo D’água, mas não o acertou. Uma pessoa de São Joaquim dos Ferros lutou contra ele com machado, se torcendo na água, e disse que era um bicho muito esperto, que se esquivou e escapou.

    Um caso estranho em Bandeirantes: ao lado de um garimpo, uma explosão estourou na margem do rio, fazendo a água inundar o lado de dentro. Dizem o Caboclo D’água se escondeu num buraco que ligava o garimpo ao rio, onde jogaram dinamite para tentar expulsá-lo. Depois, os garimpeiros fugiram desesperados.

    Um relato revelador: um pescador teria visto um animal desses grande acompanhando um outro animal pequeno, descrito pela testemunha como um “filhote”. Estamos falando de um bicho que se reproduz e não vive sozinho, geralmente anda em bando. Pesquisadores da criptozoologia (a área de pesquisa que procura descobrir e estudar animais estranhos), como o argentino Jorge Luís Salinas, dizem que é um animal pré-histórico, que sobreviveu à era dos dinossauros e desenvolveu habilidades especiais. O tubarão tem habilidades especiais do olfato, o gavião tem um super olhar, o morcego se orienta à noite com radar... Digamos que os animais têm super poderes. E o caboclo d’água, quais são suas habilidades, que o permitem viver até hoje e nenhum da espécie ser capturado?

    Nós criamos um grupo de amigos para tentar encontrar uma resposta, e até oferecemos uma recompensa de 10 mil reais pela foto desse animal. Passamos a pesquisar relatos e desenhar mapas dos locais onde foi visto. Observamos a densidade de aparições onde ele foi visto com mais frequência, englobando Mariana e seus distritos, Acaiaca, Barra Longa, Ponte Nova, aquela área todinha do rio Gualaxo e do rio do Carmo. Pela trajetória, parece fazer um percurso subindo o rio. Ele pode se movimentar por uma grande área, como um onça que para se alimentar precisa de um raio de 50 km ou mais, andando em busca de suas presas. Assim, esse caboclo está sempre perto dos cursos d’água, pois o rio é um refúgio natural para ele, e ainda pode circular pela vizinhança. Não sabemos se é anfíbio, ou quanto tempo pode ficar fora da água. As aparições coincidiram com a construção da usina de Candonga, que dividiu o rio Gualaxo entre Barra Longa e Ponte Nova. Ou seja, cercaram a água, com isso ele ficou mais tempo em Barra Longa e dando mais ataques.

    Não queremos capturar o caboclo d’água, só identificar, estudar, preservar. Somos contra a ideia de retirar ele do seu ambiente natural. A lenda em torno desse ser é muito mais antiga do que a gente acha. Aqui na região viviam os índios chamados Botocudos, que diziam haver um reino submerso, com casas onde esses homens d’água habitavam. Existiria toda uma civilização nos rios, algo um pouco místico, lembrando que ainda conservamos o mito de Iara, a rainha das águas. Há uma descrição feita pelos portugueses de um monstro avistado em Monsenhor Horta (no ribeirão do Carmo que tinha águas fortes, ainda navegável), e foi feito um desenho no qual ele é representado como uma cobra muito grande.

    O pensamento do cientista atual ficou muito cético em relação a coisas que nós não compreendemos. Porém a visão ocidental tem limitações, que já datam desde o iluminismo. Temos a presunção de achar que somos evoluídos, que conhecemos de tudo. Porém, não enxergamos vários fenômenos. O Caboclo D’água é um deles. Não sabemos o que é, como vive. Sabemos apenas que ele se alimenta e que ele mora nos rios. Vamos aprender com os índios, que contavam que estes animais têm sua sociedade, o seu habitat, um reino com reis e rainhas. Essas indagações nos faltam. Os mistérios nos movem a pensar, a imaginar, a reconhecer que nós ainda não sabemos tudo que se passa na Terra. Os livros são escritos pelos homens. A ciência tem que passar por uma revolução para sair dos atuais padrões e poder compreender novas formas.

    Por Leandro Henrique dos Santos & Stefano Azevedo, integrantes da Associação de Caçadores de Assombrações & Monstros de Mariana – Minas Gerais. www.acammg.com.br

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