| O comportamento das crianças, as medidas de higiene e o acompanhamento médico constante são fatores essenciais para reduzir o risco de contaminação pela covid-19 na volta às aulas presenciais. Independentemente do momento da retomada, que está sendo discutido em todo o país, é preciso saber quais medidas as escolas e pais podem adotar para proteger os estudantes.“Uma medida muito importante para a retomada é a divisão de estudantes em turmas específicas, que não têm contato entre si. É o que chamamos da criação de um ecossistema escolar”, conta a médica especialista em Medicina de Família e Comunidade, Dra. Mariane Tarabal, que atua no projeto EuSaúde Educação. “As crianças da mesma turma entram juntas na escola, ficam no mesmo espaço físico, participam juntas da recreação e não têm contato físico com os demais grupos. Isso é importantíssimo para reduzir as oportunidades de transmissão do vírus”, continua.A médica lembra que as crianças são seres extremamente sociais e interagem com muito contato físico. Por essa razão, é preciso seguir à risca protocolos de segurança durante a retomada. A orientação para toda a comunidade escolar, professores, colaboradores, pais e estudantes também é fundamental, já que as medidas de segurança devem ser seguidas desde o ambiente familiar até o transporte e chegada ao colégio.“Outra ferramenta importante na retomada será a telemedicina, que permite um acompanhamento em tempo real dos alunos, professores e funcionários”, diz a Dra. Tarabal. “Se uma criança apresentar sintomas durante a aula, como febre, a escola que tiver acesso à ferramenta poderá entrar em contato imediatamente com um médico, que fará uma avaliação por vídeo e orientará o professor. Caso seja necessário, o estudante pode ser encaminhado para um atendimento presencial. Esse tipo de acompanhamento permite que os casos suspeitos da covid-19 sejam identificados e isolados rapidamente, diminuindo as chances de transmissão”, continua.Os dados disponíveis sobre a pandemia no mundo, incluindo os divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mostram que as crianças sofrem menos os efeitos do vírus e geralmente desenvolvem sintomas leves, ao contrário dos adultos e idosos que estão mais sujeitos a reações graves, a hospitalizações e até ao óbito. “Isso não significa que a volta das atividades deve ser feita sem controle, já que crianças podem transmitir o vírus – embora em menor grau – de forma assintomática”, explica a médica.“Quanto mais novas, menos as crianças são afetadas. A carga viral da covid-19 está relacionada com a gravidade dos sintomas. Nos pequenos, ela é baixa e causa sintomas leves”, conta o médico e gestor do EuSaúde Educação, Ricardo Cabral. “Se as escolas, no momento de retomada, adotarem com rigidez os protocolos necessários, a telemedicina, a orientação aos pais e estudantes, nós conseguimos reduzir ao mínimo o risco de transmissão da doença”, finaliza. |