Saiba quais são as comunidades reconhecidas como quilombolas na nossa região que foram vacinadas por Coronavírus

    Cidade: vacinas aplicadas em quilomboloas
    Piranga: 2.078
    Ponte Nova: 1.953
    Acaiaca: 416
    Mariana: 143
    Ouro Preto: 26
    Minas : 66.503

    Foto: Christiano Junior – séc XIX

    Fonte : Dados da Secretaria de Saúde de Minas, site “vacinômetro”, sobre doses aplicadas em pessoas de comunidades reconhecidas como quilombolas. Acesso em 25/06/2021

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    Ouro Preto e Mariana são onde menos existem registro oficial, apesar de serem as cidades onde houve maior concentração da população no tempo da colônia e do Império.

    Escravidão: por milênios a escravidão era uma prática comercial muito usada, basta vermos os exemplos na história em muitos povos. Porém hoje podemos afirmar que o sistema comercial da escravidão entre África e as Américas causou um enorme deslocamento populacional devido a exploração econômica das novas terras: tanto na extração de matérias primas, como nas plantações, café, cana, etc, e nas minas de ouro. Além de serviços especializados.
    Os estudos de arquivos hoje revelam os números desse trágico comércio: de 1501 a 1867, embarcaram 12,5 milhões de pessoas aprisionadas da Àfrica. Mas nem todos chegavam! Nos recentes estudos divulgados por historiadores calcula-se a morte durante a viagem de dois milhões de pessoas, devido as péssimas condições dos chamados “navios negreiros”. Ou seja um em cada dez morria na viagem. Quanto mais longa, pior para quem estava a bordo.
    Os principais portos ficavam em Sengâmbia, Costa do Ouro, Costa dos Escravos, Golfo de Benin, Moçambique, Golfo de Biafra, São Tomé, Luanda em Angola e Congo. Sete em cada dez africanos embarcados para o Brasil era de Angola ou do Congo.
    Entre os autores que trouxeram esse assunto sob nova abordagem acessível ao grande público, sem a linguagem técnica e enfadonha dos textos de historiadores, é o jornalista Laurentino Gomes, com o livro “Escravidão”. Nele o autor revela que muitos reis africanos lucraram vendendo seus inimigos e até parentes quando ameaçavam o poder !
    No Brasil o Rio de Janeiro foi o porto que recebeu maior volume dessas pessoas que vieram da Àfrica aprisionadas em navios. Chamados de escravos, ou como minha amiga Museóloga formada na UFOP Marizabel defende, escravizados. “ Eles não eram escravos, eles estavam escravizados” afirma Marizabel, que tem um interessante canal na internet na plataforma chamada de “you tube”, voltada para Museologia para crianças, e para todos que gostam.
    Essas pessoas eram tão importantes para a economia que houve até guerra contra a Holanda quando invadiu e tomou Luanda em Angola. O Governador do Rio de Janeiro Correia de Sá liderou uma esquadra de guerra financiada pelos fazendeiros e mineiros também, para atacar e tomar o Luanda dos Holandeses. Atravessaram o oceano uma força de 12 navios com 1.200 homens, liderados pelo Governador Correia de Sá, que expulsou os holandeses e garantiu a continuidade do tráfico de escravos.
    Muitos fugiam da escravidão e criaram os chamados “quilombos”, numerosos na região das minas de ouro. Muitos desses quilombos viraram comunidades, e muitos tinham relação comercial intermediada com autoridades, que lucravam com essa relação. Outros foram destruídos. Exemplo mais famoso em Mariana foi o quilombo rei do Mato, na região do entre Mariana e Antônio Pereira, hoje existem apenas relatos orais sobre a existência desse quilombo.
    Pandemia: os remanescentes dos quilombos, chamados de quilombolas, foram colocados na lista de prioridade pelo Governo Federal. E nas cidades onde há o levantamento desse registro cultural as pessoas já tomaram as vacinas.
    No site “vacinômetro” da Secretaria de Estado da Saúde revelam os dados das pessoas registradas como quilombolas nas cidades, onde a secretaria de cultura fizeram este importante trabalho de reconhecimento das origens.
    Veja os dados das cidades da região pesquisados sobre vacinação em comunidades quilombolas:
    Piranga: 2.078, Ponte Nova: 1.953
    Acaiaca: 416
    Mariana: 143
    Ouiro Preto: 26
    Minas Gerais:
    total de 66.503

    Pelos dados revelados acreditamos que o total de pessoas poderia ser bem maior !
    Urge-se um levantamento cultural das comunidades remanescentes quilombolas, principalmente em Ouro Preto e Mariana.
    Isso beneficiaria não só a questão da identidade cultural como também a saúde, como vimos no caso da vacina contra o coronavírus.
    Que seja investido mais esforço em nossa cultura para reconhece-la !