
Por: Geraldo Mendes
Antes de abordar um pouco do importantíssimo tema “Saneamento Básico”, quero contar uma historinha: Existe um ditado árabe que diz: Quem planta tâmaras, não colhe tâmaras! Isso porque, segundo estudos, as tamareiras levavam de 80 a 100 anos para produzir os primeiros frutos. Conta-se que um senhor plantava tâmaras no deserto quando um jovem se aproximou e perguntou:
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– Por que o senhor perde tempo plantando o que não vai colher? O senhor virou e respondeu: – Se todos pensassem como você, ninguém colheria tâmaras. Ou seja, não importa se você vai colher, o que importa é o que você vai deixar. Corroborando com esse pensamento, faço a seguinte pergunta: Se todos abusarem do consumo de água no presente, sem nenhum tipo de controle, como ficarão as gerações futuras? Contrariando o que muita gente pensa, a água é um bem natural esgotável! A água acaba! Temos visto, constantemente, que lugares antes impensáveis, já estão com problemas sérios em decorrência da falta de água. Aqui em nossa região mesmo, quantas nascentes foram destruídas pelas mineradoras e outras empresas, ou por um cidadão comum? O que mais compromete o abastecimento de água no país é a “perda de água”, que chaga a 40%, o que significa enorme perda dos recursos hídricos, além das perdas financeiras. Sem falar no esgotamento sanitário, que, quase 100 milhões de brasileiros não têm acesso ao serviço de tratamento de esgoto. Segundo a UNICEF, cerca de 13 milhões de crianças e adolescentes, no país, não têm acesso ao saneamento básico. Em Ouro Preto, menos de 1% do esgoto é tratado. Essas afirmações não são minhas. Basta uma simples pesquisa, e terão esses e muitos outros dados sobre o Saneamento Básico no país e em nossa região. Assim, a questão de Ouro Preto não é somente pagar ou não pagar pelo consumo de água. A questão é mais séria e urgente. No entanto a discussão ficou prejudicada pelo discurso populista e raso de ser contra ou a favor da tal Saneouro. Acharam que rotular as pessoas de serem contra ou a favor da empresa bastaria, e com isso comprometeram a oportunidade de se discutir o Saneamento Básico de forma séria e objetiva. Saneamento Básico não é somente água! Saneamento Básico inclui água, esgotamento sanitário, limpeza urbana, drenagem urbana, manejos de resíduos sólidos e de águas pluviais. Ao direcionarem, de forma tacanha, a discussão do Saneamento Básico somente para a água, inviabilizaram um debate mais aprofundado e honesto sobre o tema. Como um bom realista esperançoso, como diria o saudoso Ariano Suassuna, ainda acredito que as autoridades constituídas restabelecerão o debate, sincero intelectualmente, sobre a concessão do Saneamento Básico. Mas enquanto essa possibilidade não se concretiza, muitas perguntas carecem de respostas, tais como: Que cidade deixaremos para as futuras gerações? Não é vergonhoso uma cidade conhecida mundialmente ter o esgoto correndo a céu aberto? Quantas crianças adoecem no dia a dia por causa do esgoto não tratado? O desperdício de água deve continuar? Não pagar pelo consumo de água é o ideal? Não me parece inteligente, as autoridades momentâneas ficarem incomodadas com a exposição de erros graves cometidos na CPI da Saneouro, como por exemplo, ouvirem testemunhas, e no apagar das luzes, por meio de uma emenda, transformar essas testemunhas em indiciados. Quem acha que o Ministério Público não perceberá isso, está enganado, e pior, leva a população a acreditar no que não é verdade. Durante a CPI da Saneouro, falou-se tanto em “tarifa justa”, mas ninguém ousou afirmar qual seria a tão propalada “tarifa justa”. Outra questão amplamente defendida pelos componentes da CPI, a volta do SEMAE, mas pergunto: Existem condições reais e financeiras para o retorno do SEMAE? Sem responder questões simples e óbvias, pouco adianta ficarem incomodados. Melhor se preocuparem com o legado que deixarão para as gerações futuras, e para ilustrar tal preocupação, transcrevo parte do que falou o Procurador Geral do Município, o Dr Diogo Ribeiro, na 4ª reunião extraordinária do COMUSA (Conselho Municipal de Saneamento Básico), no dia 30 de setembro de 2021: “Minha preocupação, enquanto procurador e cidadão, (…) daqui a 4, 5 anos eu ser apontado na rua, olha você acabou com a concessão (Saneouro) e hoje nós não temos tratamento de esgoto nenhum!” Ainda há tempo de rever posicionamentos, até então, acalorados, ainda que superficiais e levianos. Fica a dica! Por fim, isso é só um aperitivo sobre o tema Saneamento Básico, mas quero reafirmar o que tenho falado com todo mundo que me questiona sobre o assunto Saneouro. A Câmara chamou para si a responsabilidade de resolver um problema que não era dela. Era e continua sendo do atual prefeito, que prometeu tirar a Saneouro da cidade. Caberia à Câmara de vereadores, em seu papel fiscalizador, cobrar a promessa do prefeito, mas optaram por instaurar a CPI, o que é legítimo, porém muito arriscado, mas já passou, o relatório da CPI já foi entregue ao Ministério Público, agora é aguardar o desfecho. Termino esse texto com uma frase da chanceler alemã, Angela Merkel: “Os políticos não herdam problemas! Supõe-se que os conhecem de antemão, por isso fazem-se eleger para governar com o propósito de resolver os ditos problemas. Culpar os antecessores é uma saída fácil e medíocre!” Até a próxima!!!