Para cidade que não sabe onde quer chegar, só resta os piores caminhos

    Por: Erenildo Euzébio

    Alice no País das Maravilhas”, escrito por Lewis Carroll, é uma obra que narra as aventuras surreais de Alice, uma menina curiosa que cai em um mundo ilógico. A história é uma alegoria do crescimento e amadurecimento, onde Alice enfrenta desafios e questiona sua identidade em um ambiente caótico e repleto de personagens peculiares.

                    Através de situações absurdas e reflexões sobre a realidade e as convenções sociais, a obra nos provoca a pensar sobre a busca da identidade, sobre várias perspectivas possíveis. A obra é riquíssima tanto para crianças como para adultos, vale a pena ler e reler sempre. Mas não é bem da Alice que vamos falar aqui, ou melhor, ao menos não a Alice do livro. Explico:       

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                    “Quem não sabe onde quer chegar, qualquer caminho serve”. Essa frase, que inspirou o título deste texto, pode ser aplicada à realidade das cidades que enfrentam desafios de inclusão social e urbana. Quando não há um objetivo claro e uma estratégia bem definida, a falta de direção compromete o desenvolvimento da política habitacional, o fornecimento de água adequado, a mobilidade urbana, a educação e o serviço de saúde.

                    Inicialmente, a ideia seria fazer uma reflexão sobre os possíveis caminhos para termos uma cidade melhor no presente e no futuro. Porém, fomos surpreendidos com a notícia de que o Hospital Monsenhor Horta ameaça suspender o atendimento à população por falta de pagamento.

                    Minhas amigas e meus amigos, essa é simplesmente uma situação inaceitável para um município com tantos recursos. A generosíssima população de Mariana confiou seus recursos sob a gestão dos políticos locais. Todos que governaram a cidade nos últimos 20 ou 30 anos, juntamente com os vereadores que lhes deram governabilidade, precisam fazer uma profunda autocrítica. Não adianta criticar agora e fingir que nada tem a ver com a situação da saúde. Sejam gratos pela confiança que o povo deposita em vocês.

                    Voltando à ideia contida na história de Alice e também ao tema central deste texto: caros líderes políticos de Mariana, não é qualquer caminho que serve para a cidade, mas se não soubermos onde queremos chegar, sobrará sempre o pior caminho. O caminho da falta crônica de água, da falta de moradia, do transporte decente, da crise da saúde. Não é este o caminho que queremos, com certeza não é.

                    Precisamos superar definitivamente tantas confusões, resolver os problemas urgentes e planejar um caminho de mais prosperidade, mais organização na saúde, um plano habitacional decente, fornecimento de água com qualidade, transporte público que respeite a dignidade humana. Este é o único caminho possível. Que a história de Alice nos inspire a superar este momento.