
Grupo é formado por mulheres de 15 a 90 anos
Por João B. N. Gonçalves e Hynara Versiani
O Coletivo Rosa Negra, originado em 2022, está se destacando cada vez mais em Mariana, Minas Gerais. Este grupo diversificado de mulheres, nativas e residentes na cidade, se uniu com o objetivo comum de preservar e celebrar suas raízes ancestrais africanas e indígenas, ao mesmo tempo em que impulsionam a saúde popular e a economia solidária e criativa na região.
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O Coletivo Rosa Negra tem uma abordagem inclusiva, acolhendo mulheres de diversas idades, com faixa etária variando entre 15 e 90 anos. São mulheres atuantes nas áreas de educação, cultura, espiritualidade afro e economia criativa em Mariana.

Artista e integrante do grupo, Mo Maiê, ressaltou que o coletivo não apenas promove o estudo de danças, ritmos e cantigas do universo afro-ameríndio brasileiro, mas também cria um ambiente de cura, afeto e troca de saberes entre mulheres, especialmente as negras.
A preservação e transmissão da cultura afro na região ganha destaque através do Coletivo Rosa Negra. Mo Maiê destaca que Mariana tem uma ligação profunda com a cultura africana, sendo uma cidade construída e nutrida pelos antepassados africanos e seus descendentes. Para ela, o coletivo desempenha um papel fundamental no reconhecimento dessas raízes e na valorização da mulher negra na construção da cidade.
Além disso, o Coletivo Rosa Negra abriga uma gama de habilidades, incluindo artesãs, professoras, curandeiras, trancistas, costureiras, bordadeiras, musicistas, cozinheiras, feirantes, dançarinas, rezadeiras, cuidadoras, educadoras e contadoras de histórias. Elas participam de uma variedade de atividades, desde encontros de estudos e partilhas semanais até apresentações musicais em eventos culturais e festivais.
O coletivo se reúne semanalmente em diversos pontos de Mariana, como praças, terreiros, territórios afetados e cachoeiras. Esses encontros enfatizam o autocuidado e a ritualidade do afeto, além de compartilhar alimentos e explorar as antigas línguas, pedagogias, ritmos, canções, danças e jogos de corpo de tradições africanas e afro-brasileiras.
Elas se apresentam em formato de cortejo e também em palcos, com um repertório que inclui canções autorais e cantigas tradicionais da cultura afro-brasileira. No último mês de setembro, o coletivo se apresentou em dois importantes eventos culturais de Mariana: o Festival de Teatro Comunitário (Festeco) e da inauguração da Igreja de São Francisco de Assis e do Museu de Mariana.
O Coletivo Rosa Negra oferece uma variedade de oficinas para a comunidade, abrangendo desde a confecção de bonecas, percussão africana, costura e bordado, estética afro, dança afro, plantas e ervas de cura, até culinária africana e a confecção de instrumentos musicais a partir de materiais recicláveis.
Apesar da gama de atividades desenvolvidas, a artista Mo Maiê destaca os desafios que o coletivo enfrenta para buscar recursos. Elas estão em um estágio inicial de articulação, escrevendo projetos e buscando apoio de políticos, comerciantes e entidades locais. Até o momento, o grupo depende principalmente de seus próprios esforços e recursos para manter suas atividades.