
Igreja de Paracatu com marca da lama: Na foto Nenen Trocofi
A promessa da construção de um memorial para lembrar a tragédia do rompimento da barragem da SAMARCO está cada vez mais distante.
Sem um marco de memória a maior tragédia ambiental do Brasil que matou 18 pessoas pode ficar só na lembrança de quem correu da lama.
O Novo Bento Rodrigues já está com moradores. As obras em Paracatu foram entregues. Vida que segue.
Mas quem vai contar o passado ? O que restará para contar a história de um distrito colonial de Minas, surgido no ciclo ouro que foi soterrado por barragem ?
È importante fazer um paralelo com Brumadinho, cujo memorial já foi inaugurado.
A área do antigo Bento Rodrigues já foi tombada pelo IPHAN como patrimônio arqueológico. Paracatu nem isso. Depois do fim veio o reconhecimento, ainda que tardio .

Hoje ainda há pessoas que vão ao antigo Bento fazer confraternização, se encontrar, ainda resistem em manter o distrito como local de memória, como terra santa, mesmo que arrasada.
Porém o tempo é brasa que arde e consome a todos e tudo.
Mariana perdeu até hoje a oportunidade de construir um memorial para relembrar o que aconteceu aqui. Um marco real para contar o passado, para ver o passado.
Senão, os moradores do Bento Rodrigues e os de Paracatu podem ficar sem um passado para contar.
Porém até hoje isso não foi prioridade para as administrações passadas, pois a principal preocupação foi o processo de indenização, ações da Renova, e ação na Inglaterra.
Toda ação ou falta de ação é uma escolha política diante das forças presentes. Até agora escolheram em não fazer um memorial.
Está vencendo o esquecimento, o desfazimento de nossa história.
O passado é tão urgente que pode acabar antes que percebemos e as futuras gerações que não sentiram o cheiro da lama, não vivenciaram tudo que passou, podem ficar sem as lembranças.
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