Por: Hynara Versiani e João B. N. Gonçalves
No último sábado, 24 de agosto de 2024, a Samarco Mineração completou 47 anos de atuação. Para a ocasião, a imprensa de Mariana e Ouro Preto foi convidada a conhecer a parte final do processo produtivo da mineradora: a pelotização do minério e sua exportação. A visita teve como objetivo mostrar a retomada das operações e as melhorias implementadas no processo desde o rompimento da Barragem de Fundão.


A Samarco ficou paralisada de novembro de 2015 a dezembro de 2020. Segundo o presidente da empresa, Rodrigo Vilela, naquele momento, toda a empresa e o seu plano de negócios foram redesenhados. “Jamais vamos esquecer o que aconteceu. Usamos essa tragédia como aprendizado para trabalhar de maneira responsável, para que algo assim nunca mais se repita. Hoje, vocês verão parte desse processo que fazemos”, diz.
A jornada pela planta industrial se iniciou no Centro de Operações Integradas (COI), onde todo o processo produtivo é monitorado e controlado. O gerente de Planejamento Integrado, Eguinaldo de Souza, mostra um mapa detalhando todo o trajeto do minério desde sua extração no complexo de Germano, localizado em Mariana e Ouro Preto, até sua exportação no porto do complexo de Ubu.

No complexo de Germano, o minério, com apenas 40% de ferro, é extraído das Minas de Alegria e passa pelos concentradores, onde é enriquecido em um beneficiamento feito a partir de processos como peneiramento, britagem, deslamagem, flotação e filtragem de rejeitos arenosos. A planta de beneficiamento é composta por três concentradores, o sistema de filtragem e a Cava Alegria Sul, além da cava e da barragem de Germano.
Após isso, ele é transportado para o complexo de Ubu, a etapa mais longa do processo. Segundo Eguinaldo, 400 quilômetros são percorridos por meio de um mineroduto, e leva cerca de três dias para chegar ao destino. Em forma de polpa, o minério de ferro é transportado via minerodutos, percorrendo 25 municípios até chegar ao Complexo de Ubu, em Anchieta, no Espírito Santo.
Já em Ubu, o minério chega concentrado, é filtrado e se transforma em pellet feed, um pó que, após passar pela pelotização na usina, se torna as pelotas cruas, que ainda cedem facilmente à pressão. Elas sofrem outros processos, como moagem, mistura e peneiramento, inclusive passando por uma análise laboratorial que determina a qualidade de cada pelota.

Após um processo de endurecimento, as pelotas são armazenadas em um pátio antes de serem embarcadas para diversos destinos ao redor do mundo. “Do momento da extração até a exportação, leva entre três e quatro dias, sendo o transporte no mineroduto a etapa mais demorada”, detalha o gerente.
A Samarco vem trabalhando para aumentar sua capacidade de produção, mas enfrenta desafios como o processo de licenciamento e a adaptação para uma mineração sem barragens de rejeito. “O que não permite que a Samarco opere a 100% é justamente esse processo de adaptação para uma mineração mais segura e sustentável”, afirma Eguinaldo.




O diretor de Operações da Samarco, Sérgio Mileipe, complementa que a empresa está focada em otimizar os processos existentes e construir uma nova filtragem. “Aproveitamos a forma que já existia no cronograma e nos concentramos ao máximo nessa operação. Boa parte das quatro mil pessoas trabalhando hoje nesse complexo foram contratadas antecipadamente”, explica.
Apesar dos desafios, a empresa conseguiu reativar a usina de pelotização P3 em Ubu no dia 23 de agosto. “Dependemos hoje do minério que chega de Minas Gerais, mas com os estoques que temos e algumas alternativas de compra, conseguiremos sair de 30% de capacidade para 40%”, afirma Mileipe.
O diretor também menciona que, até o final do ano, será alcançada 60% da capacidade produtiva. No momento, as usinas de pelotização P4 e P3 já foram reativadas, mas as usinas P2 e P1 ainda estão inoperantes. Foi tomada a decisão de retomada inversa para que as usinas mais atuais fossem reativadas antes das mais antigas. Os Jornalistas do Jornal O Espeto João B. N. Gonçalves e Hynara Versiani, estiveram da reativação da usina no Espirito Santo .
O Jornal O Espeto agradece a Samarco, pelo convite.

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