
Por: João B. N. Gonçalves
O Sistema de Abastecimento de Água de Furquim (SAA Furquim), projeto que visa melhorar a oferta de água no distrito de Furquim, em Mariana, enfrenta entraves para sua conclusão. O empreendimento, conduzido pela Fundação Renova, é parte das ações de compensação pelo rompimento da barragem de Fundão e foi iniciado em resposta à necessidade de revitalização da região.
Com previsão de entrega até dezembro de 2023, a obra está atualmente 90% finalizada, mas questões envolvendo captação de água e interligação à rede de distribuição ainda precisam ser resolvidas. A construção do SAA Furquim inclui a captação de água, uma adutora, uma estação de tratamento e a rede de distribuição para atender até 2 mil habitantes.
No entanto, apesar do avanço nas obras, a comunidade ainda aguarda pela água tratada nas torneiras. Segundo José Benedito Semim, presidente da Associação de Moradores de Furquim, o sistema de abastecimento atual é deficiente, especialmente em períodos de seca. “Hoje, temos um sistema antigo que não consegue atender à demanda da comunidade”, afirmou.
Um dos principais obstáculos enfrentados pelo projeto é a localização da captação de água, que, durante o processo de construção, foi comprometida por uma residência erguida em cima da área de captação. A casa, construída pelo proprietário do terreno após receber indenização pela Fundação Renova, está situada em uma área de proteção ambiental, violando normas estabelecidas para o projeto.

A situação gerou um processo judicial, resultando em multas tanto para o proprietário quanto para a própria Renova, que foi considerada negligente por permitir a construção. “Quando fomos visitar o local, nos deparamos com a casa construída em cima da captação, fora de todas as normas. A obra está praticamente concluída, mas agora estamos aguardando a resolução desse impasse”, explicou José Benedito.
Aqui está o depoimento do proprietário Sr. Leandro Araújo reescrito em três parágrafos:
Leandro Araújo, proprietário do terreno onde a estação de tratamento está localizada, afirmou que sua casa já existia antes do início das obras. “Todo o projeto da estação de tratamento foi feito ao redor da casa. A distância até a água era de cerca de trinta metros. No entanto, devido às escavações excessivas feitas pela Renova, a água se aproximou da minha casa, o que começou a gerar transtornos”.
O proprietário, no entanto, afirmou que o setor de meio ambiente da Fundação Renova e a Policial Florestal estiveram no local e verificaram que a construção da casa respeitava as distâncias exigidas. “O sistema de esgoto também foi planejado adequadamente, sendo que um caminhão faz a coleta quando a fossa enche”, disse.

Leandro ainda reforça que a casa não oferece nenhum risco ambiental. “Minha casa foi construída antes da estação de tratamento, e todos os órgãos ambientais estavam cientes disso. Meu vizinho alegou que o local poderia apresentar risco de contaminação, mas o sistema de esgoto foi devidamente planejado e não há impacto na água. As autoridades já confirmaram que tudo está em conformidade. Se você verificar no Google Maps, verá que minha casa já estava lá em 2020, antes do início da construção da estação, que começou em 2022.”
A Justiça já determinou que a casa deve ser removida ou que a captação seja transferida para outro local, mas o processo continua em andamento. Outro problema mencionado é a interligação do sistema às residências. Embora a estrutura principal do sistema esteja pronta, a conexão com as casas ainda não foi realizada.
A Fundação Renova já instalou a rede trifásica de energia na estação de tratamento, o que era um dos entraves técnicos do projeto. No entanto, para a água chegar às torneiras dos moradores, é necessária a execução de obras adicionais, como a perfuração de ruas para interligação à rede de distribuição, o que depende de ações conjuntas com a Prefeitura de Mariana.
Além desses desafios, o desperdício de água também é um problema crônico na região. José Benedito ressalta que, mesmo com a conclusão das obras, será necessário conscientizar a população sobre o uso racional da água. “Não há volume de água que dê conta se houver desperdício. A comunidade precisa entender que a conservação é essencial para o sistema funcionar adequadamente”, afirmou.
Em nota enviada ao jornal O Espeto, a Fundação Renova declarou que as obras do sistema de abastecimento de água de Furquim já foram concluídas e que, no momento, trabalha em conjunto com o poder público para implementar adequações complementares, possibilitando o início da operação assistida do sistema.
Enquanto isso, a comunidade de Furquim permanece à espera de uma solução definitiva para o problema. Moradores, como um entrevistado que preferiu não se identificar, expressam sua frustração com a demora na entrega do projeto: “Houve um grande investimento financeiro, mas até hoje sofremos com a falta de água. Pedimos um esclarecimento sobre quando finalmente teremos água em nossas torneiras.”
Publicado às 13:56 do dia 02/10/20204
Atualizado às 17hs do dia 02/10/20204
SAL : Serviço de atendimento ao leitor – para enviar mensagem, informar erro, elogiar, solicitar cobertura jornalística ou indicar pauta, entre em contato com o Serviço de atendimento ao leitor, via whatsapp, clique aqui