
Mostra resgata a diversidade cultural e histórica por trás das fachadas e métodos construtivos da cidade
Por: João B. N. Gonçalves e Hynara Versiani
Com o intuito de valorizar a rica cultura arquitetônica de Ouro Preto, aconteceu na noite desta nesta terça-feira, 12 de novembro, a abertura da exposição “Cores e Técnicas Construtivas em Ouro Preto”, no Museu Casa dos Contos. A mostra estará disponível para visitação até 5 de dezembro e visa explorar as cores e técnicas tradicionais da construção local, revelando ao público detalhes históricos que, muitas vezes, permanecem ocultos aos olhares cotidianos.

Concebida em duas alas, a exposição reúne imagens históricas e resultados de pesquisas que buscam preservar o patrimônio arquitetônico e cultural da cidade. Na primeira ala, a mostra exibe fotografias de renomados fotógrafos como Erich Hess, Luiz Fontana, Dimas Guedes e Marcel Gautherot, que registraram Ouro Preto a partir da década de 1930. As fotografias revelam as camadas de tempo e as técnicas de construção tradicionais, oferecendo uma visão detalhada da transformação da cidade ao longo dos anos.

Fernando Cardoso, um dos pesquisadores envolvidos, destaca a importância de reconhecer a “cultura construtiva” local, que reflete as adaptações dos moradores aos materiais e às condições da região. “A cidade como ela existe é fruto de processos, de muitos processos. A exposição chama a atenção para a riqueza desse conhecimento, desse patrimônio que os visitantes muitas vezes deixam passar”, afirmou Cardoso. Para ele, essa dimensão construtiva da cidade precisa ser percebida e valorizada pelos visitantes, indo além da “imagem” de Ouro Preto.
As cores que o tempo apagou
A segunda ala da exposição explora a história das cores de Ouro Preto, um elemento essencial para o entendimento da identidade visual da cidade.

O curador Guilherme Horta explica que, por meio de camadas sobrepostas de tintas e da análise de pigmentos minerais, a pesquisa revela que as fachadas brancas de hoje foram, outrora, multicoloridas. “Essa cidade branca que a gente vê hoje não era assim, era uma cidade colorida. Isso está na memória das pessoas, nos registros dos fotógrafos e documentos históricos”, comentou Horta.

Adelaide Dias, também pesquisadora do projeto, explicou que a exposição revela “o que os olhos leigos não veem”, trazendo as cores e as técnicas como protagonistas da história construtiva de Ouro Preto. Segundo ela, a intenção é valorizar e “abrir um diálogo com a população” sobre a importância da preservação do patrimônio cultural.

O projeto não apenas resgata a história arquitetônica, mas também pretende gerar um manual de restauração das técnicas construtivas, como o pau a pique, estuque, tabique e adobe. “Ouro Preto é uma enciclopédia construtiva. Queremos mostrar para as pessoas as camadas de cores e as técnicas que foram usadas para erguer a cidade”, concluiu Adelaide Dias.
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