Mariana precisa urgentemente de assumir a proteção do Parque do Gogo

    Tenho um grande amor pela cidade de Mariana, onde trabalhei como chefe do Escritório Técnico do IPHAN entre 1988 e 1990 e não posso deixar de me manifestar contra a perda de tão importantes relíquias para o município de Mariana, o Brasil e o mundo.

    O reconhecimento e preservação do parque do Gogo virá acrescentar novos elementos e ampliar a já tão rica e diferenciada história da primeira cidade de Minas Gerais.

    Por Altino Barbosa Caldeira

    O Sr. Salvador foi brilhante e muito objetivo nesta entrevista! Ele fala de dentro do coração e expõe suas razões com as quais concordo inteiramente.

    A cidade de Mariana precisa urgentemente de assumir a proteção do Parque do Gogo, realizando o tombamento municipal com a definição da área a ser protegida (perímetro de tombamento) e dos trabalhos de manutenção e conservação do Parque. Como o Sr. Salvador falou, é importantíssimo que isto seja feito AGORA, sem esperar mais, já que área do parque sofre ameaças. O prefeito precisa solicitar o tombamento do Parque instituindo-o com base em todas as justificativas evidentes e necessárias e designar imediatamente as pessoas que irão dar início a este trabalho.

    A partir desse primeiro e importante passo, pode-se solicitar ao Ministério Público para agir em defesa do patrimônio ambiental, histórico e cultural ali existente e se criar condições adequadas de visitação. É interessante observar que o jornal O Espeto já apresentou outras entrevistas em relação a achados arqueológicos encontrados na região e me recordo de uma em especial que tratava de numerosas ruínas de casas de pedra, muito altas e bem conservadas, próximas de uma cachoeira conhecida como Mombaça, que está localizada entre o Morro Santo Antônio e o Morro de Santana, que fazem parte do parque ecológico do Gogo.

    De acordo com a matéria, existe até a ruína de uma capela de médio porte. É preciso estabelecer uma proteção imediata destes bens culturais com sinalização, trilhas e identificação dos valores atribuídos a estes bens, classificando-os cem categorias específicas, tais como arqueológicos, paisagísticos, históricos, etc. prevendo-se a proteção da fauna e da flora, com identificação das espécies, sejam aquelas que já se conhecem e aquelas que estão por serem conhecidas.

    As medidas de proteção devem impedir ocupações irregulares, garantir a segurança das ruínas e demais referências que por meio de levantamentos e estabelecer parcerias com setores públicos e privados que possam contribuir para a gestão do Parque Cultural Arqueológico e Cultural do Gogo. Se necessário, coloco-me à disposição para auxiliar neste processo.

    Tenho um grande amor pela cidade de Mariana, onde trabalhei como chefe do Escritório Técnico do IPHAN entre 1988 e 1990 e não posso deixar de me manifestar contra a perda de tão importantes relíquias para o município de Mariana, o Brasil e o mundo, como bem disse o Sr. Salvador.

    Espero que as atitudes e decisões políticas e comunitárias levem à condução do processo de tombamento e preservação do Parque do Gogo para que a sua salvaguarda possa ficar garantida para o presente e o futuro.

    Esta decisão e as ações subsequentes virão acrescentar novos elementos e ampliar a já tão rica e diferenciada história da primeira cidade de Minas Gerais.

    Altino Barbosa Caldeira

    Pós-doutor pela Universidade de Bolonha / Itália (2006)

    PhD pela Universidade de Sheffield / Inglaterra (1997)

    Ex-professor da PUC Minas (1992 a 2021)

    Arquiteto do IPHAN (1987 a 2010)