
A Câmara Municipal de Mariana votou na última reunião, de 24/03, a Lei 66/2025, que dá o nome de Prefeito Roque Camêllo à Av. do Contorno de Mariana, por indicação do vereador José Antunes Vieira, o Zezinho Salete. Este salientou “que tal ato é para se fazer justiça a um dos marianenses que mais trabalhou em prol do desenvolvimento de Mariana, o prof. Roque Camêllo – disse o vereador Zezinho.

Outros vereadores, também, se pronunciaram, elogiando a proposta o projeto de Lei: Ronaldo Bento, Manuel Douglas (Preto das Cabanas), Pedro Vieira (Predrinho Salete), Ítalo Oliveira (Ítalo do Magelinha), José Salles, Fernando Sampaio, que lembrou a luta de Roque Camêllo para implantar a celebração do Dia 16 de Julho – Dia do Estado de Minas Gerais e Samuel Martins (Samuel de Sumidouro), que citou um dos sonhos de Roque Camêllo, que era refundar o Colégio dos Ozórios, o primeiro Colégio fundado em Minas Gerais, em Sumidouro, hoje, Padre Viegas, cujas ruínas, lá se encontram.
Roque Camêllo, ao lado do então prefeito Jadir Macêdo, desempenhou papel crucial na luta pela construção da rodovia de Contorno das cidades de Mariana e Ouro Preto. Como bem ressaltou o jornalista Jurandir Persichinni, da Rede Globo, no artigo: “O homem é eterno quando seu trabalho permanece”: “O êxito da iniciativa que previa construção da estrada de contorno de Mariana e Ouro Preto, com o intuito de desviar o trânsito, foi incentivada pela promulgação da Lei de Anistia em 1979, ano que começou a Abertura Política, durante a transição do Governo de Geisel e Figueiredo. Recorro à fundamentada argumentação elaborada pela Comissão Especial do Patrimônio Histórico das duas cidades (Mariana e Ouro Preto), sob a coordenação do Prof. Roque Camêllo, que produziu um documento robusto, bem elaborado e documentado, que foi entregue aos Ministro da Cultura e dos Transportes.”, afirmou Jurandir Persichinni.
Roque Camêllo, nasceu 16 de agosto de 1942, em Mariana e, parte da infância, residiu no sítio do Piteiro, próximo ao subdistrito de Bento Rodrigues. Cursou o primário na Escola Estadual Dom Benevides e, em seguida, estudou no Seminário de Mariana. Formou-se em Direito e Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais.
Estudou na Universidade de Harvard-EUA, como bolsista e na France Langue de Paris. Em Belo Horizonte, fundou e dirigiu, o Colégio São Vicente de Paulo, além de lecionar em diversas outras instituições. Foi Conselheiro da Associação Universitária Internacional (AUI) e Diretor Regional da AUI para Minas Gerais.
Após várias pesquisas sobre as primazias de Mariana, Roque Camêllo foi o idealizador do projeto que resultou da criação do DIA DO ESTADO DE MINAS GERAIS (Lei nº 7.561/1979), celebrado em todo o território mineiro em 16 de Julho, data coincidente com o aniversário de Mariana. Este projeto foi apresentado, pelo autor, na Academia Marianense de Letras e depois entregue ao governador Francelino Pereira, seu amigo e ex-colega de ensino no Colégio IMACO de Belo Horizonte.
Em 1979, organizou e patrocinou o primeiro Encontro para o Desenvolvimento de Mariana, o EDEM-1, realizado na Casa de Cultura, que trouxe vários benefícios para a cidade, dentre eles a construção da Estrada de Contorno que evitou o tráfego pesado de caminhões das mineradoras, recém instaladas no município, Samitre, Samarco e Vale, dentro do Centro Histórico. Como testemunhou o jornalista Jurandir Persichinni.
Além de sua atuação educacional, Roque Camêllo coordenou a publicação do livro “16 DE JULHO-O DIA DE MINAS”, coletânea de pronunciamento sobre esta efeméride.
Ele criou a Associação de Amigos do Memorial Pedro Aleixo e conseguiu que a família comprasse o lote, ao lado do Memorial Pedro Aleixo, para que seja construídos no local uma biblioteca e um espaço cultural para a comunidade de Bandeirantes para receber a documentação do ex-presidente da República Pedro Aleixo, que se encontra em Brasília.
Roque Camêllo foi Conselheiro e Diretor Executivo da Fundação Cultural e Educacional da Arquidiocese de Mariana (FUNDARQ). Sob sua direção, foi responsável, em 2002, pela segunda reforma do Órgão Arp Schnitger, da Catedral de Mariana; pela execução do projeto Restauração e Difusão de Partituras dos séculos XVIII e XIX do Museu da Música de Mariana; pela publicação dos livros: “Lobo de Mesquita no Museu da Música de Mariana” em 2002 e “I Colóquio Brasileiro de Arquivologia e Edição Musical”, em 2004, e pelos restauros do Santuário Nossa Senhora do Carmo, cujo sinistro, em 1999, destruiu quase todo o templo; e do antigo Palácio dos Bispos, onde foi sede do Museu da Música.
Ele foi também, o proponente, em 2002 e 2004, do projeto de certificação e inscrição do acervo do Museu da Música de Mariana no programa “Registro Memória do Mundo da UNESCO, tornando-se Patrimônio Cultural da Humanidade.
Conseguiu recursos para concluir o projeto para a restauração dos antigos jardins do Palácio dos Bispos, que foi visitado, em 1881, pelo cientista Auguste Saint Hilaire, que se encantou com tão bela “Quinta Portuguesa”, no interior do Brasil. A restauração desses jardins era, também, um dos sonhos de Roque Camêllo, pois sua restauração será um importante e belo equipamento cultural e social para a cidade. O tal projeto se encontra com a Arquidiocese de Mariana.
Na década de 60, com um grupo de universitários, fundou a Terceira Força Jovem, época em que se elegeu vereador em Mariana. Foi uma mobilização política que visava unir os marianenses da “direita” (UDN) e os da “esquerda” (PSD). Para tomar posse na Câmara, seu pai, Torquato José de Oliviera Camêllo o emancipou, porque a maioridade era após 21 anos. Quando a oposição entrou com um pedido de impedimento de sua posse por ele ser menor, Roque já havia protocolado no fórum de Mariana sua emancipação.
Em sua trajetória política, Roque Camêllo foi vereador, Vice-Prefeito e Prefeito de Mariana. Sua vereança em Mariana foi fundamental para trazer à cidade importantes instituições financeiras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e a CEMIG, no lugar da então decadente Cia Força e Luz Marianense. Viajava todos os sábados de Belo Horizonte a Mariana, sob suas expensas para a reunião semanal da Câmara Municipal, que acontecia aos sábados, época em que o vereador não era remunerado.
Roque Camêllo participou de diversas Entidades Culturais de Minas Gerais e de outros Estados e era possuidor de diversas comendas e tem diversas publicações em revistas e jornais e é o autor do livro MARIANA: ASSIM NASCERAM AS MINAS GERAIS – um visão panorâmica da história”.
Como voluntário prestou serviços relevantes, não só a Mariana, a Belo Horizonte, mas ao Estado de Minas Gerais. Presidiu a Comissão de Defesa do Patrimônio Histórico da OAB de Minas Gerais, era membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais e da Casa de Cultura – Academia Marianense de Letras, da qual foi presidente durante 30 anos e seu mantenedor.
Sem dúvida Roque Camêllo é um homem singular, referência cultural, política e cidadã da cidade de Mariana, digno de honrarias compatíveis com seu trabalho prestado à cidade. Como escreveu Ozanan Moura Santos no artigo: Roque Camêllo – símbolo de amor a Mariana: “Por tudo que fez pela sua cidade, Roque Camêllo se tornou um inesquecível símbolo de amor a Mariana!”
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