150 anos do falecimento de Dom Viçoso com Caminhada para a Cartuxa e apresentação dos meninos de Mafra

     No próximo 07 de julho de 2025, por ocasião dos 150 anos do falecimento de Dom Vioçoso, haverá caminhada para Cartuxa, com saída às 07h30 da Igreja da Sé. A Santa Missa será celebrada às 10h, na Cartuxa. Pedro Antônio e Vítor Leonardo, conhecidos como “Meninos de Mafra”, estarão participando da missa, para cantar na Celebração Eucarística e interpretar o Hino a Dom Viçoso. A mãe deles, Juliana Kuss, entoará o Salmo.

    Por Merania Oliveira

    “Estudar música disciplina a criança e a enriquece espiritualmente.” Frase repetida pelo professor Roque Camêllo, homem que via na educação séria e comprometida a força motora de libertação de um povo. Por isso, seu encantamento e sua devoção a Dom Viçoso, 7º bispo de Mariana e de todo o território mineiro àquela época.

    Meninos de Mafra

    Dom Viçoso era o “Santo Particular” da família do poeta Carlos Drummond de Andrade, que lhe dedicou uma poesia com esse título. Ele nasceu em Portugal e veio para o Brasil a convite de Dom João VI, com o objetivo de ajudar na evangelização do povo. Aqui chegando, fundou colégios, pregou missões, restaurou o prédio e a pedagogia do Seminário de Mariana, além de promover a reforma do clero em Minas Gerais, posteriormente adotada por outras dioceses.

    Para Roque Camêllo e seu irmão, o Professor Maurílio Camêllo – este o responsável pela Positio super virtutibus et fama sanctitatis (Exposição sobre as virtudes e fama de santidade), que integra o processo de beatificação de Dom Viçoso –, o “Santo Particular” foi um homem de fé, sabedoria, realizador, culto e avançado para o seu tempo.

    Ao perceber que a escravidão e o analfabetismo persistiam, Dom Viçoso mandou buscar, em Paris, as Filhas da Caridade, conhecidas como Irmãs Vicentinas, para fundarem orfanatos, acolherem meninas que perambulavam pelas ruas e criarem um colégio destinado à educação das jovens. A finalidade era também sustentar os orfanatos. Para Roque Camêllo, era lapidar a justificativa de Dom Viçoso ao convocar as religiosas: “Somente proporcionando às jovens uma educação cristã e cultural, teremos filhos mais preparados para servirem à Pátria. Pois a mãe é, antes de tudo, a primeira mestra.”

    O Conde da Conceição (título que Dom Viçoso recebeu do Imperador Dom Pedro II) foi o maior benfeitor de Mariana e do nosso Estado, tendo mudado a história do Estado. Faleceu pobre, em 07 de julho de 1875, na Chácara da Cartuxa, já com fama de santidade e amplamente reconhecido como o “Santo de Minas”.

    Seu processo de beatificação, iniciado por seu biógrafo, o primeiro arcebispo mineiro Dom Silvério Gomes Pimenta, ficou estagnado por mais de sessenta anos, até ser retomado por Dom Oscar de Oliveira. Posteriormente, foi Dom Francisco Barroso Filho, então bispo nomeado de Oliveira-MG, quem levou a documentação ao Vaticano, em 1984.

    Há mais de 18 anos, Dona Efigênia Sacramento lidera um grupo de fiéis em peregrinação, da porta da Catedral até a Cartuxa, em oração, para participarem da Santa Missa. A caminhada ocorre todo dia 13 de cada mês, data de nascimento de Dom Viçoso, em Peniche, no dia 13 de maio de 1787. No próximo 07 de julho, por ocasião dos 150 anos de seu falecimento, a caminhada será nesse mesmo dia, com saída às 07h30 da porta da Sé. A Santa Missa será celebrada às 10h, na Cartuxa.

    Pedro Antônio e Vítor Leonardo, conhecidos como “Meninos de Mafra”, estarão na Cartuxa no dia 07, às 10h, para cantar na Celebração Eucarística e interpretar o Hino a Dom Viçoso. A mãe deles, Juliana Kuss, entoará o Salmo. Os irmãos Pedro Antônio e Vítor Leonardo fazem refletir a riqueza da música nascida da fé e da tradição, em um percurso que remete às histórias de Roque Camêllo e Dom Viçoso.

    Assim como Roque, que acreditava no poder transformador das artes e defendia a música como expressão de valores e identidade, os “Meninos de Mafra” encantam por unir talento e espiritualidade, revelando que o canto que nasce do interior pode alcançar corações por todo o país, com a mesma simplicidade e força que marcaram o legado de Dom Viçoso, cuja fé também se manifestava em gestos culturais e educativos.

    De Mafra, interior de Santa Catarina, para as telas de milhões de brasileiros, Pedro Antônio e Vítor Leonardo, irmãos de 12 e 8 anos, vêm conquistando o país com vozes afinadas, carisma natural e um repertório que mescla espiritualidade, tradição e raízes familiares.

    O que torna a trajetória deles ainda mais especial é o modo como tudo começou: com um bilhete entregue pela creche. Foi pelas mãos do saudoso padre vicentino Aldo Seidel, então pároco da Matriz São José de Mafra, que o convite para um projeto de musicalização infantil chegou à família. A proposta era simples: reunir crianças da comunidade para aulas de música na igreja.

    O bilhete foi entregue aos pais dos meninos, que, inspirados no avô paterno Nino (violeiro de alma e coração) decidiram iniciar o filho mais velho nos estudos de música. Aos poucos, com o violão nas mãos e o apoio constante da família – especialmente do pai, que ajeitava pacientemente os dedinhos do pequeno Pedro –, ele foi criando intimidade com o instrumento. Vítor, ainda bebê, se virava para observar o irmão tocando e, ao crescer um pouco, também começou as aulas. Mas foi a gaita, conhecida em Minas como acordeom, que conquistou o coração do caçula, levando-o a abandonar o violão.

    Em depoimento, Pedro Antônio afirma que buscou realizar o sonho do pai, Vilmar, que sempre quis aprender a tocar um instrumento, mas não teve oportunidade. Por isso, toca por amor e como forma de retribuição. Hoje, ambos já têm intimidade com o palco e uma trajetória que rapidamente ultrapassou os muros da Igreja e ganhou visibilidade nas redes sociais.

    Um vídeo caseiro publicado pelo pai viralizou e atingiu a marca de 1 milhão de visualizações. Assim nasceram os “Meninos de Mafra”. O sucesso digital abriu caminhos reais.

    Pedro Antônio e Vítor Leonardo já cantaram para o ex-presidente Jair Bolsonaro em Joinville, interpretaram músicas ao lado de artistas como o gaiteiro João Luiz Corrêa e a gaiteira Bia Socek, e emocionaram o público nas telas da TV Evangelizar e da TV Aparecida. Também participaram de uma apresentação com o Padre Ezequiel, mas não há lugar onde se sintam mais à vontade do que na Igreja.

    Entre cinco composições próprias e uma agenda crescente, os irmãos seguem vivendo com simplicidade e fé. A grande referência? O avô Nino, com quem gravaram o clipe de Cortando Estradão, registro que simboliza bem o estilo da dupla: canções que unem campo, oração e esperança em um Brasil melhor. Aos poucos, vão trilhando um caminho onde a música é ponte entre gerações.

    Pedro Antônio e Vítor Leonardo não são apenas promessas. São a prova de que talento, quando cultivado com amor e valores, floresce cedo e permanece enraizado e frutificando. Eles não estão apenas cantando o Brasil: estão, desde já, escrevendo uma história marcante na música brasileira, sendo apreciados por crianças e idosos.

    Pedro Antônio e Vítor Leonardo confirmam o que dizia o educador Roque Camêllo: estudar música disciplina a criança e contribui para seu enriquecimento espiritual.

    Minas Gerais e Mariana esperam de braços abertos a família Kuss, que vem enriquecer as celebrações pelos 150 anos do falecimento do Venerável Dom Viçoso, a convite dos devotos e do Padre Geraldo Buziani. Os “Meninos de Mafra”, Pedro Antônio e Vítor Leonardo, além de cantarem durante a Celebração Eucarística, ensinarão ao mineiros o Hino a Dom Viçoso, fortalecendo, com música e fé, a memória desse importante legado.

    Por Merania Oliveira – Jornalista

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