

Mariana, conhecida por sua rica história e tradições, também guarda mistérios que atravessam gerações. Um dos mais comentados envolve os exorcismos realizados pelo célebre Cônego Juca Cota, figura religiosa e também o primeiro prefeito da cidade, à época chamado de intendente.
De acordo com relatos de moradores antigos, as sessões de exorcismo atraíam grande atenção popular, especialmente na Praça da Sé, onde, segundo testemunhas, “o circo pegava fogo”. O senhor Alípio Borges relembra um desses episódios marcantes:
“Teve uma pessoa que saiu dando cambalhotas e pulos da casa onde era feito o exorcismo até o jardim. Lá, o Cônego conseguiu alcançá-la e exorcizá-la”, contou.

Outra testemunha, o professor Rafael Arcanjo dos Santos, também recorda os impressionantes rituais conduzidos pelo religioso:
“As pessoas possuídas eram levadas para a casa do Cônego Juca Cota, onde eram amansadas. Vinham amarradas pela polícia. Quando o carro chegava, a criançada corria para ver. Às vezes, o exorcismo saía para fora da casa – as pessoas corriam enfurecidas pela praça e o cônego ia atrás com água benta e orações. Todo mundo via, era comum.”
Segundo o professor Rafael, Mariana chegou a ter outros padres exorcistas, tamanha era a demanda por esse tipo de intervenção espiritual na época.

O senhor Alípio Borges acrescenta outro episódio marcante:
“Todos os dias, às 13h, Juca Cota dava bênção na praça. Um dia, uma mulher possuída rasgou a roupa no meio da praça, falando em uma língua enrolada. A multidão se juntou para ver. O cônego a acalmou e a levou para casa, onde cuidou dela.”
Os relatos reforçam a mistura de fé, medo e curiosidade que sempre cercou a figura do Cônego Juca Cota – um personagem que marcou a história religiosa e política de Mariana.

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