Especial de Dia das Bruxas 🎃

Há pouco mais de cento e cinquenta anos, o Morro Santo Antônio, em Mariana, era um dos maiores centros de mineração de Minas Gerais. Ali, mais de trinta mil escravos trabalhavam dia e noite em busca do ouro que brotava das entranhas da terra. Hoje, o silêncio do morro guarda mais do que ruínas guarda segredos.

Muitos dizem que o local é assombrado. Há quem jure ter visto luzes que dançam sobre as pedras, vultos entre as árvores e vozes que ecoam nas galerias abandonadas. Mas nenhuma história causa tanto arrepio quanto a lenda do portão da mina.
Contam que existia, no alto do morro, uma mina muito rica. À entrada, um imenso portão de ferro e aroeira — madeira tão dura quanto o próprio destino daqueles que ali trabalhavam. O dono da mina, temendo roubos, mandou trancar o acesso e, dizem, escondia ali também um baú repleto de ouro. Para garantir que o segredo nunca fosse revelado, os escravos que enterravam o tesouro eram mortos, condenados a vigiar eternamente o ouro com suas almas inquietas.
Anos depois, um viajante de Passagem teria tropeçado nesse portão misterioso. Ao abri-lo, deparou-se com o brilho inconfundível de um baú de ouro. Tentou arrastá-lo, mas o peso era sobrenatural. Marcou o lugar e correu até o vilarejo em busca de ajuda.
— “Achei o portão da mina rica! Vão lá comigo, que o baú tá lá dentro!” gritava o homem, ofegante.
— “Tem certeza? Se for brincadeira, vai dar ruim!” responderam.
— “Brincadeira nada! Eu vi com esses olhos que a terra há de comer!”

Formou-se uma expedição com pás, cordas e picaretas. Eram doze homens. Subiram o morro sob o luar. Vasculharam cada ruína, cada buraco, mas o portão havia desaparecido. Voltaram frustrados e assustados.
Os mais antigos garantem: o portão só aparece para quem está sozinho, e o baú está sempre cheio de ouro. Mas há um aviso: quem demorar demais lá dentro, nunca mais volta o mesmo. Dizem que certa vez um homem da antiga Vila Alemã desapareceu por seis meses. Quando voltou, parecia o mesmo mas algo em seu olhar era diferente.
Desde então, o Morro Santo Antônio carrega essa fama. Alguns juram ouvir correntes, outros sentem cheiro de enxofre quando o vento sopra do alto. E há quem diga que, em noites como a de hoje, o portão pode se abrir novamente…
Mas cuidado: se resolver subir o morro nesta noite de bruxas, não vá sozinho.
E, se encontrar o portão, não olhe para trás.
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