
Por Mariana Amaral
No dia 30 de outubro de 2025, o projeto de extensão Ariadnes, ligado a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), realizou uma oficina de capacitação para jornalistas com foco em coberturas sobre femicídios.
Essa foi a primeira de uma série de oficinas gratuitas que acontecerão ao longo do segundo semestre letivo da UFOP. O objetivo dessas oficinas é qualificar a cobertura jornalística de temas relacionados a gênero, sexualidade e violências, com uma abordagem humanizada e baseada nos direitos humanos.
A primeira ação de capacitação foi ministrada pela professora do Departamento de Jornalismo e coordenadora do Projeto Ariandes, Karina Gomes Barbosa. Ao longo da oficina, houve um debate sobre as formas como casos de feminicídio são tratados pela mídia, como são contextualizados e lidos socialmente.
A discussão trouxe aspectos como o uso apenas do boletim de ocorrência como fonte, o sensacionalismo nessas coberturas, a construção da imagem tanto da vítima quanto do agressor, o uso de imagens, a relevância de detalhes sobre como o crime aconteceu e a falta de humanização das vítimas.

Após a discussão mediada pela professora, as integrantes da oficina analisaram diversas matérias sobre o assunto e discutiram quais as formas como as coberturas foram feitas e como elas poderiam melhorar.
O público presente nessa ação era formado por estudantes ligados ao curso de Jornalismo, em sua maioria mulheres, mesmo sendo aberto a todos os profissionais de comunicação e estudantes da região dos Inconfidentes.
É importante lembrar que todas as oficinas serão ofertadas de maneira gratuita e acontecem às 17h no Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA) em Mariana em datas divulgadas no Instagram do projeto (@projetoariadnes).
Dentre os tipos de coberturas que serão debatidas nas próximas oficinas estão transfeminicídios, violência sexual e o uso de imagens em reportagens que tratam desses temas.
Para mais informações basta acompanhar o perfil do projeto no Instagram.
CURIOSIDADE : O nome é uma metáfora da mitologia grega em alusão à princesa de Creta, Ariadne, que se apaixona por Teseu, descendente de Egeu. A princesa oferece a Teseu uma espada e um fio de lã para ajudá-lo na luta contra o Minotauro. O fio seria o caminho que seu amado faria para encontrá-la ao fim da luta. Ariadne, em diferentes finais, é abandonada, raptada ou assassinada. Para nós, cada Ariadne retoma o fio de seu destino ao relatar o trauma e, assim, caminhar um passo em busca de retomar o controle da narrativa da vida. A metáfora, nesse projeto, representa cada testemunho como uma Ariadne.
Fotos: Projeto Ariadnes