Talento das Bordadeiras de Mariana em exposição no Centro de Arte Popular em Belo Horizonte

    Mostra fica em exposição no Centro de Arte Popular em Belo Horizonte até dia 28 de fevereiro de 2026

    Por Beatriz Granha

    A exposição Com (Ciências): Mulheres, Saberes e Lugares homenageia bordadeiras marianenses e reconhece a importância artística do bordado como patrimônio cultural, além de reforçar a presença da mulher negra na construção histórica e artística da região.

    Realizada por meio de uma parceria entre a Academia Mineira de Bordados e o Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult) e do Centro de Arte Popular (CAP), a exposição está em Belo Horizonte, disponível até 28 de fevereiro de 2026. 

    A curadora Ana Cláudia Rôla explica que a exposição presta uma homenagem às mulheres negras, por meio do bordado livre, reafirmando a importância delas e desse ofício na memória afetiva da cidade e na formação da nossa sociedade.

    O bordado tradicional de Mariana é uma expressão cultural de grande relevância para a cidade, valorizada como parte da identidade local e da memória coletiva.

    Em 2022, um grupo de bordadeiras se reuniu para formar a Academia Marianense de Bordados e tomou posse na Casa de Cultura em 5 de agosto do mesmo ano, iniciativa impulsionada pelo Movimento Renovador de Mariana.

    Em novembro de 2025, o bordado marianense recebeu reconhecimento estadual: o Projeto de Lei 3.665/2025, aprovado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais, declarou a tradição um bem cultural relevante para o estado, reforçando sua preservação e sua visibilidade. O PL, de autoria do deputado Thiago Cota, destaca a transmissão do saber de geração em geração, sua presença em rituais religiosos, peças de enxoval e na vida cotidiana, e ressalta o papel das bordadeiras como guardiãs da memória coletiva. Esse reconhecimento fortalece a preservação da tradição, incentiva a formação de novas bordadeiras e reforça a importância do bordado como expressão artística e patrimônio cultural imaterial do município.

    Para a curadoria, a exposição propõe um diálogo entre arte, memória e identidade: “Os fios da história, da memória e do bordado entrelaçam-se, conectando mulheres, saberes e lugares”, explica o texto de apresentação.

    As imagens foram criadas a partir de relatos orais e arquivos fotográficos, quando existentes, pela artista Anna Stoppani, conhecida como Anna Lu. A partir dos desenhos, as bordadeiras participaram ativamente do processo criativo, reinterpretando as narrativas por meio do bordado, traduzindo memória, oralidade e pertencimento.

    Os trabalhos abordam temas como ancestralidade, cuidado com a família e com a comunidade, força feminina e ocupação de espaços.

    A curadora Ana Cláudia Rôla explica que a exposição tem como tema às mulheres negras, retratadas por meio do bordado livre, reafirmando a importância delas e desse ofício na memória afetiva da cidade.

    Além de ocupar o espaço do CAP, na capital mineira, a exposição também está em cartaz na Casa de Cultura, no centro de Mariana, ampliando o acesso da população local às obras e reforçando o vínculo entre a produção artística e o território de origem das bordadeiras.

    A iniciativa contribui para valorizar o bordado não apenas como técnica artesanal, mas como linguagem artística e instrumento de preservação da memória coletiva.

    A Academia Marianense de Bordados surgiu com o objetivo de fortalecer, difundir e reconhecer o bordado como patrimônio cultural da cidade. A participação das bordadeiras na exposição reforça a importância da entidade na valorização dos saberes tradicionais e na promoção da representatividade feminina e negra no cenário artístico mineiro.

    O bordado em Mariana tem origem ligada à formação histórica da cidade e ao cotidiano doméstico das mulheres. Transmitido de forma prática, de mães para filhas, o bordado foi incorporado ao dia a dia como forma de trabalho, expressão cultural e cuidado com o lar.

    Ao longo do tempo, a técnica ultrapassou o espaço privado e passou a ser reconhecida como manifestação artística e elemento fundamental da identidade cultural marianense. Existe uma preocupação em relação à perda da tradição, que culmina em esforços para a formação de novas bordadeiras com o objetivo de garantir a continuidade do ofício.

    O Movimento Renovador de Mariana, por meio da Academia Mineira de Bordados e do grupo História entre Linhas, mantém gratuitamente várias frentes de ensino da técnica, como oficinas em escolas e outras instituições, além de encontros semanais de bordado na Casa de Cultura.

    Em Minas Gerais, o bordado integra um conjunto mais amplo de saberes tradicionais associados à cultura popular, presentes em diferentes regiões do estado. Utilizado tanto como expressão estética quanto como registro simbólico de histórias e vivências, o bordado mineiro reflete relações com o território, a religiosidade, a memória e o trabalho feminino.

    A valorização dessa prática, por meio de exposições e políticas culturais, contribui para a preservação do patrimônio imaterial e para o reconhecimento do protagonismo das mulheres na construção da cultura mineira. A expectativa é de que a mostra incentive reflexões sobre cultura popular, negritude e o papel das mulheres na transmissão de saberes ancestrais.

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