
Por Helena Paz
No dia 15 de janeiro, foi inaugurada a exposição “Guardiãs das Palavras Benditas: Benzedeiras do Jequitinhonha” no Museu Casa dos Contos, em Ouro Preto. As criações expostas são um trabalho conjunto do fotógrafo Lori Figueiró e de Aline Gomez, bordadeira e artista. Estiveram presentes também na inauguração o diretor do Museu Casa dos Contos, Leonardo Francisco, e Danielle Aline, assessora da vice-prefeita Regina Braga. Além disso, durante a roda de conversa sobre a exposição e a fim de fazer uma ponte com as benzedeiras de Ouro Preto, Dona Maria Guimarães foi convidada para conversar sobre sua trajetória.

Lori Figueiró é fotógrafo nascido em Diamantina e há quase 20 anos ele faz registros e pesquisas sobre a cultura popular do Vale do Jequitinhonha, fotografando os mestres e mestras e seus saberes e fazeres ancestrais na região. A exposição nasceu de uma parceria entre Lori e Aline, que propôs bordar suas fotografias de benzedeiras. Dessa forma, surgiu a ideia de fazer fotos específicas para serem bordadas para esse projeto, que, segundo ele, acabou crescendo durante seu processo e hoje tem-se 200 benzedeiras registradas na região do alto, médio e baixo Jequitinhonha. “E a gente não tá fazendo só um registro imagético, nós estamos fazendo todo um trabalho de pesquisa mesmo, recolhendo as orações, os modos de benzeção, os cantos, os versos e simpatias das benzedeiras, as suas experiências de vida”, conta Figueiró. A exposição é somente uma parcela de 52 fotografias das muitas que já existem bordadas na mesma proposta, mostrando a vivência local popular.
Aline Gomez, bordadeira das fotos, é nascida no quilombo Arraial dos Crioulos, em Araçuaí, e nos conta sobre sua origem, onde sua avó e mãe trouxeram essa vivência ancestral de benzeção, que compõe sua trajetória pessoal como artista: “É uma fotografia real, do que é a realidade, e a proposta do bordado vem também não interferir na fotografia. Então não é uma interferência, né. É uma junção que a gente chama de laços em oração, que é mais uma leitura do ato do benzimento em si”, explicou.

Dona Maria Juceli Guimarães, tradicional benzedeira ouropretana que compôs a mesa de abertura da exposição, conta sobre seus conhecimentos sobre plantas medicinais e seus saberes, que foram passados de gerações de sua família e que hoje ela usa para ajudar a comunidade: “Me sinto muito feliz, porque tem um ditado sério: nunca que você vai numa benzedeira, numa rezadeira, e ela te cobra, porque não vale! O que Deus deu de graça pra nós, temos obrigação de dar de graça para todos”, afirmou.
A prática de benzeção é um saber presente na região do Jequitinhonha e de Ouro Preto e Mariana, e é a representação simbólica de uma cultura ancestral que vem de gerações, e é um gesto de fé, solidariedade e identidade por meio de orações, gestos, ervas e saberes espirituais que protege contra doenças, males e também reafirma vínculos comunitários. Por isso, a benzeção, com sua força de representação social, acaba por ser também um gesto político e de cuidado, e é importante reconhecer essas mulheres como guardiãs de um patrimônio imaterial. A exposição “Guardiãs das Palavras Benditas: Benzedeiras do Jequitinhonha” já passou pelo Centro de Arte Popular em Belo Horizonte, e depois vai para o Museu Casa Guimarães Rosa e, por fim, para algumas cidades do Vale do Jequitinhonha.
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