
Reconhecida como patrimônio imaterial, a Banda de Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia atravessa gerações celebrando fé, identidade e ancestralidade no interior de Minas
Fé, identidade, devoção, ancestralidade e tradição são a marca da Banda de Congado de Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia de Miguel Burnier, que desde 1947 atua com o compromisso de promover e preservar a cultura afro-brasileira e o patrimônio cultural de Minas Gerais. Desde 2019, a Festa do Reinado “A Fé Que Canta e Dança” é reconhecida como patrimônio cultural imaterial de Ouro Preto, assim como a própria banda.
Com roupas coloridas, cantos, rituais, danças simbólicas e instrumentos tradicionais, a banda celebra os reinados negros do Rosário e Santa Efigênia, participando das festas religiosas locais e de encontros em toda a região. Em 2025 e 2006, o grupo vem realizando atividades, como apresentações na região de Ouro Preto e também ensaios periódicos, viabilizadas com recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, com patrocínio da Gerdau, maior empresa brasileira produtora de aço, gestão e produção da Agência de Desenvolvimento Econômico e Social de Ouro Preto (Adop) e Através Gestão Cultural, e apoio da Prefeitura de Ouro Preto.
À frente do grupo está o Capitão Antônio Xisto, referência para os congadeiros da região. Ao se estabelecer em Miguel Burnier, no fim da década de 1950, ele iniciou sua trajetória como dançante e, com o tempo, assumiu o comando da guarda. Em 2008, foi reconhecido como Mestre da Cultura Popular, pelo Ministério da Cultura. Em 2025, sua história ganhou ainda mais visibilidade com a inauguração da Praça dos Congadeiros Capitão Xisto.
Para ele, o Congado é mais que tradição: é missão de vida. “Fazer parte do Congado, realizar as festas, estar presente em cada celebração é uma alegria muito grande. É a minha fé, é a minha história. Enquanto Nossa Senhora me der força e saúde, vou continuar cantando e dançando”, diz Capitão Xisto, reafirmando seu compromisso com a cultura, a devoção e a continuidade de um legado que atravessa gerações.
Em Miguel Burnier, a fé não se limita às palavras. Ela dança, canta, ecoa nos tambores e se renova a cada passo dos congadeiros, mantendo viva uma tradição herdada das matrizes culturais afro-brasileiras, atravessando gerações como símbolo de resistência, devoção e identidade. Em meio aos desafios, o grupo segue firme, sustentado pela força da comunidade e de seus membros, pelo respeito à ancestralidade e pelo compromisso com a memória coletiva.
Reconhecimento
Em 2024, o Conselho Estadual do Patrimônio de Minas Gerais reconheceu os Caminhos, Expressões e Celebrações do Rosário em Minas Gerais, inscrevendo-os nos livros de registro das Celebrações e das Formas de Expressão do patrimônio cultural imaterial mineiro.
Sustentadas por comunidades reinadeiras e congadeiras, essas manifestações se constituíram a partir de um processo de resistência e ressignificação empregados por povos negros fora de seus territórios de origem. Ao longo do tempo, os grupos desenvolveram saberes, ofícios e práticas próprias que se expressam em festejos públicos e comunitários organizados em louvor a santos de devoção vinculados ao catolicismo negro.
Conhecidas como festas dos Reinados e/ou Congados, as celebrações são organizadas por devotos que integram ternos, guardas e outras formações, compostas por capitãs e capitães, bandeireiros, tocadores, dançadores, Reis e Rainhas. Durante os cortejos por cidades, distritos, vilas e igrejas, entoam cantigas seculares dedicadas a Nossa Senhora do Rosário, São Benedito, Santa Efigênia, Nossa Senhora das Mercês, São Sebastião, São Elesbão, Nossa Senhora Aparecida, Santo Antônio, São Jorge e também à ancestralidade.
Segundo a Federação dos Congados do Estado, Minas reúne a maior concentração de congadeiros do país, mantendo viva uma tradição que teve suas primeiras celebrações registradas no século 18.
Sobre a Adop
A Agência de Desenvolvimento Econômico e Social de Ouro Preto é uma instituição privada, sem fins econômicos, apartidária, criada por meio da parceria entre empresas locais, poder público e sociedade civil, cuja missão consiste em “Gerir e executar as ações que garantirão a diversificação e desenvolvimento econômico no Município de Ouro Preto”.
Definida como OSC – Organização da Sociedade Civil, nos moldes da Lei 13.019/14, a ADOP mantém a Titularidade Pública Municipal e desde janeiro de 2005, o Título Federal de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP).
Soma-se às titularidades públicas da Adop, o reconhecimento por parte do Município de Ouro Preto, da Agência de Desenvolvimento Econômico e Social de Ouro Preto (ADOP) e pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico e Sustentável (CONDES-OP) como instância de governança do Programa de Apoio à Diversificação Econômica de Ouro Preto (Pade), reconhecido como política pública por meio da Lei Municipal nº 1.338 de 05 de abril de 2023.
Sobre a Gerdau
Com 125 anos de história, a Gerdau é a maior empresa brasileira produtora de aço e uma das principais fornecedoras de aços longos e de aços especiais do mundo. No Brasil, também produz aços planos e minério de ferro. Com o propósito de empoderar pessoas que constroem o futuro, a companhia é referência de internacionalização no setor industrial brasileiro, está presente em vários países nas Américas e conta com 30 mil colaboradores em todas as suas operações. A empresa possui 29 unidades produtoras de aço, sendo 13 plantas na América do Norte. Maior recicladora da América Latina, a Gerdau tem na sucata uma importante matéria-prima: cerca de 70% do aço que produz é feito a partir desse material. Todo ano, 10 milhões de toneladas de sucata são transformadas em diversos produtos de aço. Como resultado de sua matriz produtiva sustentável, a Gerdau possui, atualmente, uma das menores médias de emissão de gases de efeito estufa (CO₂e), que representa metade da média global do setor. A companhia possui, inclusive, uma marca destinada a uma linha de produtos com baixa emissão de carbono, chamada Gerdau NewEco. As ações da Gerdau estão listadas nas bolsas de valores de São Paulo (B3) e Nova Iorque (NYSE).
Fotos (crédito: Leo Cardoso)
Para receber notícias no seu WhatsApp clique aqui
E para receber notícias da nossa página no Facebook
Se inscreva no nosso canal do you tube para receber nossas reportagens, clique aqui
SAL : Serviço de atendimento ao leitor – para enviar mensagem, informar erro, elogiar, solicitar cobertura jornalística ou indicar pauta, entre em contato com o Serviço de atendimento ao leitor, via whatsapp, clique aqui