Entre rezas e correntes: Almas penadas  saem em procissão em Mariana

    Fotos : Isaac Rangel

    Procissão Folclórica não faz parte da semana santa, sendo considerada uma manifestação cultural típica de Mariana, que representa as lendas, superstições  e histórias.

    Na calada da noite, quando o relógio da Igreja da Sé em Mariana  meia noite da Sexta-feira da Paixão, dia 03 de abril de 2026 para sábado,  o silêncio foi rompido pela procissão das Almas, gemidos, bumbos, seguido por um som arrepiante de arrastar de correntes e matracas.

    O Mistério sob as Túnicas : O cortejo é composto mais de 60 pessoas, entusiastas da cultura local, todos cobertos por túnicas brancas que ocultam parcialmente seus rostos.

    Multidão acompanhou o trajetória da Procissão das Almas

    Duas figuras se destacam no trajeto: Dona Maricota com balaio de penas  e a “Vela de canela de defunto:

    Uma moradora fofoqueira, de hábito de espiar da janela a vida dos outros, teria espiado a procissão das gretas da janela  janela e recebido uma vela de um dos integrantes. Ao acordar, descobriu horrorizada que a vela se transformara em um osso de canela .

    Dona Maricota: Uma personagem que carrega um balaio de penas, espalhando-as pelo caminho. Diz a história que essa seria a penitência de uma mulher caluniadora por inventar que um padre teria um caso com uma noiva em Padre Viegas distrito de Mariana, o que levou ao rompimento do noivado, mesmo sem provas. Depois de ouvir a sua confissão o próprio padre a recomendou a penitência espalhar penas de dez galinhas pelas ruas e depois voltar para ouvir a segunda parte. Assim foi feito, e depois de espalhar as penas Maricota foi atrás do padre,  que a penitenciou a recolher as penas de volta e mandou-a  colocar num saco. Ela respondeu ser impossível, pois o vento carregou as pedras para tudo que é canto ! O padre respondeu, assim são as palavras, elas espalham por todos os lados, por isso a importância de refletir sobre o que falamos. Maricota saiu com seu balaio para tentar recolher as penas e ficou perturbada da cabeça, afirmam muitos.

    Outra lenda, uma das almas seria do padre do São Pedro que foi assassinado na torre da Igreja. Na época o crime foi atribuído a um gato que arranhou o pescoço do padre, mas muitos afirmam ser obra de um marido ciumento da devoção da mulher pelo padre, resultado a Igreja de São Pedro ficou fechada por dez anos como manda o costume e depois foi reaberta. O padre percorre a procissão das almas com uma cabeça nas mãos, simbolizando a morte. Injustiçado ou não ninguém tem como saber mas o padre teima em aparecer no adro, e é representado na procissão das almas penadas.