O Museu da Inconfidência, Inaugurado em 11 de agosto de 1944 pelo presidente Getúlio Vargas em Ouro Preto

    Por: Rozembergue Alex Teixeira

    O Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, foi tombado por sua importância cultural. Abrigou a Casa de Câmara e Cadeia de Vila Rica, construída entre 1785 a 1855.

    Edificada a partir de 1º de junho de 1785, obedecendo a planta do governador da Capitania de Minas Gerais, Luís da Cunha Meneses, a Casa de Câmara e Cadeia de Vila Rica constitui um dos mais notáveis exemplares da arquitetura civil da América Portuguesa.

    Já como presidente do Brasil, Getúlio Vargas retornaria a Ouro Preto para visita oficial. Estava acompanhado do então governador Juscelino Kubitschek(foto: Badaró Braga/O Cruzeiro/EM )

    Sua monumentalidade e apurado acabamento, vieram contrastar com o panorama social de uma época já de franca retração, fruto do declínio da atividade extrativa do ouro e da intranqüilidade política e social estabelecida, quase às vésperas da Inconfidência Mineira.

    Os recursos para a obra vieram de loteria criada, mediante licença régia, exclusivamente para esse fim. Para realizar os serviços foi estabelecida uma fábrica de cal nas imediações da cidade.

    Há muito tempo já se planejava em Vila Rica a construção de uma câmara e cadeia, de pedra e cal, para substituir a antiga prisão de pau-a-pique, existindo, inclusive, um projeto aprovado, de autoria do engenheiro José Fernandes Pinto Alpoim. Apesar do rápido impulso inicial conferido pelo seu maior incentivador e administrador Cunha Menezes, a obra se concluiu, entretanto, somente em 1855.

    Parte da cadeia começou a funcionar desde os primeiros tempos, possivelmente ainda no seu governo, tendo a Câmara ali se instalado em 1836. O projeto do governador sofreu algumas alterações, verificando-se a substituição na fachada da varanda de balaústres de pedras pela de ferro, como também a estrutura em curvas da torre pela de linhas retas e a da escada em um só lanço pela de dois com patamar.

    O frontispício, provavelmente inspirado no do Capitólio de Roma, apresenta características inovadoras como a adoção de três colunas, em vez de quatro, para os dois vãos da porta, em contraposição ao rigor da composição neoclássica. O especialista Orlandino Seitas Fernandes assinalou influência estrangeira nos arranques das escadarias externas, que , segundo ele, lembram os “de Gabriel no Petit Trianon de Versalhes”.

     Após a Independência, as armas do Reino existentes no frontão foram substituídas pelas do Império, e as de Bernardo José de Lourena, décimo primeiro governador de Minas do período de 1797 a 1803, passaram a figurar na varanda. Nos quatro cantos da platibanda se elevam as figuras de pedra-sabão representando as virtudes cardeais- Prudência, Justiça, Temperança e Fortaleza-,cuja autoria é atribuída ao português Antônio José da Silva Guimarães, que as teria entalhado na fazenda do Manso, ao pé do Itacolomi. O relógio que se encontra atualmente na torre foi adquirido pelo senador Rocha Lagoa para a Igreja São Francisco de Paula, da mesma cidade, não se tratando portanto do primitivo relógio da cadeia velha demolida de autoria de Manuel de A. Fonseca Neto.

    O chafariz da fachada é o antigo da ponte de Ouro Preto, tendo sido inaugurado no seu novo destino, a 2 de dezembro de 1846, como indica a placa acima existente. A construção da Casa de Câmara e Cadeia determinou a duplicação da atual praça Tiradentes, não só com a demolição da primitiva cadeia mas ainda de diversas casas que comprometiam a visibilidade do edifício mais importante da capital.

    Recebeu a visita dos Imperadores Dom Pedro I e Dom Pedro II. Inicialmente, a Escola de Minas começou funcionando no antigo Palácio dos Governadores

    Com a construção da Penitenciária Agrícola de Neves, nas imediações de Belo Horizonte, a antiga Casa de Câmara e Cadeia foi doada à União, através do Decreto-lei datado de 2 de dezembro de 1938. Em 20 de dezembro do mesmo ano, foi criado o Museu da Inconfidência, sob a coordenadoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, com a finalidade de colecionar objetos de várias naturezas, relacionados com os fatos históricos da Inconfidência Mineira e com seus protagonistas, bem como as obras de arte ou de valor histórico que se constituem documentos expressivos da formação de Minas Gerais

    O Museu da Inconfidência é um dos principais museus históricos brasileiros. No período republicano, o Estado brasileiro criou outros museus com a temática histórica. Entre os mais destacados, encontram-se o Museu do Ipiranga (1895), reformado em 1917 para se tornar efetivamente um museu de história, o Museu Histórico Nacional (1922) e o Museu Imperial de Petrópolis, fundado em 1940. Estes museus fizeram parte do processo de construção republicana da Independência do Brasil.

    Em vista disso, contexto histórico do surgimento do Museu da Inconfidência compreende o período do modernismo brasileiro, ou seja, a primeira metade do século XX. A instituição de memória foi destinada a rememorar um passado coletivo, o que envolvia a monumentalização dos espaços associados ao movimento político colonial. Logo, o museu visou construir um acervo que contemplasse ao movimento da Inconfidência, o ciclo da mineração e a arte barroca. Fonte consultada A terra Santa.

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