
Por Leandro Henrique dos Santos
Na sexta-feira dia primeiro de maio de 2026, dia do trabalhador e dia de São José, a associação de Moradores do distrito de Santa Rita Durão ( AMSRD ) de Mariana, realizou um caminhada ecológica para a Igreja Fraga, tombada pelo IPHAN, de responsabilidade da VALE.
Kaylaine Eduarda Pereira, de 16 anos, moradora de Santa Rita Durão participou da caminhada ecológica para a Igreja do Fraga, e ela disse que adorou porque foi uma experiência única pela beleza da natureza e do patrimônio histórico. É a primeira vez que na Igreja e Fazenda do Fraga.
Em divulgação em suas redes sociais a AMSRD informou que foi a 1ª Caminhada Ecológica – Santa Rita Durão promovendo assim um dia de conexão com a natureza, com a história e com as pessoas. “Mais do que uma caminhada, um movimento de consciência, cuidado e pertencimento. Entre trilhas, sorrisos e encontros, mostramos que preservar é um ato coletivo.”
Parabéns para a Associação de Moradores de Santa Rita Durão e apoiadores que realizaram essa atividade, que leva a natureza e a história.
A Igreja do Fraga como é conhecida é um capítulo importante na história de Minas.
Saiba mais :

Com o descobrimento das minas de ouro em Mariana no ano de 1696 muitas pessoas foram atraídas para a região, que passou a se chamar Minas Gerais. Muitos agrupamentos foram se formando ao redor das minas e garimpos, pois forneciam o que as pessoas precisavam. Enquanto muitos mineravam ouro outros e também criavam animais. Surgiam as minas de ouro e fazendas.
Logo surgia uma pequena povoação, e claro era erguida uma Igreja na praça principal. A povoação ganhava o nome de seu fundador, morador mais importante e a Igreja era o Santo padroeiro desse fundador. Temos por exemplo
Para alimentar essa crescente população foram as pressas sendo construídas plantações, e fazendas junto as minas de ouro, pois as cidades mais próximas que poderia abastecer Mariana eram próximas ao Rio de Janeiro, São Paulo e Taubaté, terra de muitos bandeirantes que fundaram distritos de Mariana !
Nos locais de mineração era necessário também plantar, e também ter serviços religiosos, vistos como essenciais naquela época de muita religiosidade! Uma desses locais que foram fazendas e minas de ouro e Igreja é conhecido como Fazenda do Fraga, vizinho de Bento Rodrigues.
No Fraga funcionava uma fazenda, com criação de gado, mina de ouro e plantação e também tinha uma Igreja de grande porte, devido ao numero de pessoas que lá morava.
Hoje o local é tombado pelo IPHAN como patrimônio arqueológico, histórico e natural e está sob o zelo da Vale.

CRONOLOGIA DE OCUPAÇÃO DO SÍTIO HISTÓRICO FAZENDA CÓRREGO DO FRAGA
1732– Gregório Pereira Lima, residia em um sítio localizado no “Tapuanhuacanga de Bento Rodrigues” e erigiu Capela de São Gregório e Nossa Senhora do Livramento registrada em 1732, como consta no arquivo Casa Setecentista, Mariana.
1747, o coronel João Gonçalves Fraga, cavaleiro da Ordem de Cristo e morador de Bento Rodrigues era mineiro e negociante de terras dos mais abastados. Adquire a propriedade, construiu a fazenda, dando início a ocupação da família Fraga. Ele aparece na lista dos 1061 homens mais ricos de Minas, mandada a fazer pelo Conselho de Marinha de Portugal para buscar recursos para reconstrução de Lisboa após o grande terremoto de 1755. A partir daí a Igreja de São Gregório passa a se chamar popularmente Igreja do Fraga.
1754 – Estevão Gonçalves Fraga, sobrinho do Coronel Fraga, natural da região do Minho, teria vindo para Minas para servir na sua companhia para seu tio coronel João Gonçalves Fraga, ficando responsável pela administração das lavras e engenhos de tirar ouro, herdou a propriedade em 1754.
1803 . O terceiro na linha sucessória a chegar em Mariana, por volta de 1770, foi Domingos Pereira Fraga, português que chegou em Mariana em 1770 para fazer companhia ao tio Estevão e se ordenou padre. Em 1803, com a morte do tio Estevão, também solteiro, herdou todo seu patrimônio, incluindo a “Fazenda do Morro” que passou a ser conhecida na região por Fazenda do Padre Fraga, principalmente pela “Capela do Padre Fraga”, vindo todo o morro a ser reconhecido posteriormente como “Morro do Fraga. Em 1801 nas visitas pastorais do bispo de Mariana, Dom Frei Cypriano, encontra com Domingos Pereira Fraga, de 46 anos, listado como um dos 12 padres do Inficionado, nome então do distrito de Santa Rita Durão.
1831 – Assume a a propriedade, fazenda e minas, Maria Cândida, herdeira do Padre Fraga através de testamento. Ela nascida em 02/02/1809 , como exposta, órfã, adotada pelo Padre Fraga. As evidências arqueológicas, estudos que apontam abandono da fazenda algum momento da década de 1850, época em que as companhias de mineração de capital inglês se instalaram a 3 Km do local da fazenda do Fraga, no local denominado Ouro Fino, vizinho a Bento Rodrigues.
Hoje a VALE zela pela área e toma medidas para preservação e proteção desse patrimônio histórico de Mariana.
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