
Era bem cedo. A névoa tomava conta da praça. Ezequiel ia caminhando com atenção para a praça Tirandentes, com medo de escorregar pois tinha chovido um pouco. Dia estava nascendo, maioria das pessoas dormindo.
Nisso passa rápido perto dele um cavalo com um cavaleiro com uma capa preta, grande, bonita demais. O cavalo era grande cor castanho queimado. Mas Ezequiel estranhou que não fazia barulho, nem ferradura rancando faíscas no calçamento, nem tropel de cascos ! Uai, muito quieto, olhou direito e viu o cavaleiro com um chapéu grande, capa colada no pescoço, só que o cavalo, não tocava o chão, só cortava a neblina !
Meio assustado e admirado Ezequiel encostou e acompanhou com o olho até o trem sumir pelo beco ao lado da Câmara ! Mais uma assombração para sua lista. Já está acostumado. Quem mora nos casarões acaba acostumando. Ezequiel disse que não é questão de valentia, ou medo, mas acaba aprendendo a conviver com isso, meio sem querer. Vida que segue. Ezequiel segui para mais um dia de trabalho na UFOP.