Pesquisa do MEC reforça importância da campanha Juventude Segura para a promoção de hábitos digitais saudáveis entre crianças e adolescentes

    A restrição do uso de celulares nas escolas brasileiras já é realidade em 92% das instituições de ensino, segundo pesquisa divulgada pelo Ministério da Educação (MEC). Para o Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG), os primeiros resultados da implementação da Lei nº 15.100/2025 demonstram que a medida representa um avanço não apenas para a educação, mas também para a promoção da saúde e do desenvolvimento de crianças e adolescentes.
    “A pesquisa mostra que a sociedade está compreendendo que o debate não é contra a tecnologia, mas a favor da saúde e do bem-estar das crianças e dos adolescentes. O uso equilibrado das telas é uma responsabilidade compartilhada entre famílias, escolas, profissionais de saúde e toda a sociedade”, afirma o presidente do CRM-MG, Dr. Ricardo Hernane Lacerda Gonçalves de Oliveira.
    Segundo o levantamento do MEC, além da ampla adesão à legislação, gestores escolares relataram melhora na participação dos estudantes, maior capacidade de concentração durante as aulas, redução das distrações e fortalecimento da convivência entre os alunos.
    Saúde dentro e fora da sala de aula
    Para o conselheiro do CRM-MG e pediatra, Dr. Fábio Augusto de Castro Guerra, esses resultados dialogam com o que os médicos vêm observando na prática clínica. “Quando reduzimos o tempo de exposição às telas em ambientes de aprendizagem, favorecemos o desenvolvimento cognitivo, a interação social e a construção de vínculos entre crianças e adolescentes. O convívio com os colegas faz parte do processo de desenvolvimento”, explica.
    O uso excessivo e sem acompanhamento das tecnologias digitais pode trazer impactos importantes para a saúde infantojuvenil, como prejuízos à atenção e à memória, alterações na qualidade do sono, aumento da ansiedade e de outros problemas relacionados à saúde mental. Além disso, favorece o sedentarismo e pode contribuir para o surgimento de problemas oftalmológicos decorrentes do tempo prolongado diante das telas.

    Foi diante desse cenário que o CRM-MG lançou a campanha Juventude Segura, uma iniciativa permanente voltada à promoção de hábitos digitais saudáveis entre crianças e adolescentes. A campanha busca conscientizar famílias, educadores, profissionais de saúde e toda a sociedade sobre os impactos da hiperconectividade no desenvolvimento infantil e juvenil, incentivando uma relação mais equilibrada com a tecnologia, sem abrir mão de seus benefícios.
    Mais do que discutir o uso de celulares nas escolas, a campanha propõe uma mudança cultural baseada na prevenção, no diálogo e na corresponsabilidade entre famílias, escolas e profissionais de saúde. A iniciativa reúne instituições parceiras de diferentes áreas e desenvolve ações educativas para estimular uma convivência saudável entre o mundo digital e a vida fora das telas.
    Para a diretora de Comunicação do CRM-MG, Dra. Janaína Maciel Lopes, a restrição do uso de celulares no ambiente escolar representa um passo importante, mas precisa ser acompanhada pela construção de uma cultura permanente de prevenção e uso saudável das tecnologias.
    “Os benefícios da restrição do uso de celulares nas escolas já começam a aparecer. Agora, precisamos trabalhar a prevenção para que esse cuidado se torne uma cultura, favorecendo o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes. Esse é um compromisso que deve envolver famílias, escolas, profissionais de saúde e toda a sociedade”, defende a conselheira.

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