
Beatriz Mouchrek Granha é jornalista formada na UFOP, com passagem pelo Jornal O ESPETO, e lança livro de poemas com o título “Fui ruína por onde a luz passou”. O lançamento do livro será em Belo Horizonte mas já está aberta a pré-venda, clique aqui: Pré venda
Beatriz Mouchrek Granha encontrou encontrou liberdade na poesia, na escrita íntima, que permite tensionar a precisão da palavra com a emoção que transborda o rigor jornalístico. Seus textos nascem do corpo, da memória e dos afetos.
Sua poesia surge em guardanapos, páginas de diários e margens de cadernos, tentando acompanhar a urgência que marca sua forma intensa de existir, amar e criar. Acredita na força indomável da mulher que já se perdeu no amor, dona de um corpo que ainda lembra, mas cujo coração cultiva a coragem de permanecer em si mesma.
SINOPSE
A obra fui ruína por onde a luz passou acompanha uma travessia em cinco movimentos: o amor que consome, o desenho das linhas da perda, a dor profunda do corpo que fica, a tempestade que reorganiza e o renascimento que devolve a identidade.
Com linguagem íntima e sensorial, os poemas criam metáforas com fenômenos da natureza que se traduzem em uma experiência sensível, potente e transformadora de reconstrução. Estruturado como um percurso contínuo, o livro explora o incêndio da fusão com o outro, a ferida das conexões disfuncionais, o que resta dos amores que desmoronam, a beleza do que mora entre ruína e recomeço e a coragem de deixar que a luz atravesse as próprias rachaduras.
Trechos:
Eu não sou frágil, eu sinto muito.
Como se estivesse sintonizada em uma frequência diferente
Sinto cada batida do coração, sinto o sangue pulsar quente,
sinto as cordas vocais vibrarem na garganta.
Quando dói é como se minha pele fosse atravessada por vidro,
e tentar impedir as lágrimas é como tentar conter um rio furioso.
Tão grande quanto, minha alegria é extravagante,
e encharca o que está à minha volta em segundos.
Meu amor se derrama cuidadoso e paciente
banhando cada pedacinho do que escolhi amar, todos os dias.
Eu não sou frágil, eu sinto muito.
***
Eu não sou mais a mulher que só escreve sobre o gosto doce do amor seguro
Mas também não sou mais a mulher que só escreve sobre a dor dilacerante da
perda
Minha sede agora é de mim mesma
Estou tão misturada aos tons da dor que não sei mais qual é a minha cor
Estou tão impregnada com o gosto dos amores que se foram que não sei mais qual
é o meu sabor
O luto é um casulo, e o tempo que se passa lá dentro é tão natural quanto
necessário
O trabalho interno é necessário para a transformação
E a transformação é tão dolorida quanto poderosa
Eu estou pronta.
***
É poderoso escrever sobre si mesma.
Sobre quem te fez feliz, quem te machucou.
O que te feriu, o que te mudou.
A forma como contamos nossas histórias importam.
Sobre um amor doente, já escrevi uma centena de poemas doloridos, sobre um
amor lindo e único, ainda não sou capaz de escrever, e tudo bem.
Sigo escrevendo sobre o que consigo, quando consigo.
Sigo mastigando a alegria e o amargor de estar viva, processando, sentindo,
sofrendo e celebrando quem fui e quem sou.
A dor tem me arrebatado sem muito pudor, tento aprender com ela.
Também sou banhada de bênçãos, todos os dias.
Me parece então que a vida é isso: insuportavelmente dolorida e inacreditavelmente
inebriante, ao mesmo tempo.
***
A língua portuguesa tem o privilégio dolorido
de ser a única que sabe o que é saudade
Esse vão recheado de memórias
Contradição da angústia simultânea ao afeto
A distância veste o nosso vínculo
Como um eclipse dolorido
E a luz do nosso sol é coberta
Por uma lua que não explica
o que quer nos ensinar
***
Quero falar da beleza de estar viva, da potência de ser quem sou,
da busca pela fração divina que existe em mim
e da persistência em nutrir um amanhã mais bonito.
Estou exausta de páginas molhadas de lágrimas,
escritas por mãos trêmulas
Moro em uma cidade fantasma,
sustentada pelas memórias de quando havia vida ali.
Já venceu o tempo de ver o mundo distorcido por uma
janela embaçada pela minha angústia ofegante.
O sangue continua correndo nas minhas veias,
assim como a vida continua correndo pelos meus olhos,
e já é hora de honrar esses movimentos.
Respeito meu passado e honro meus aprendizados,
mas não afasto a dádiva do presente com o martelo dolorido dos meus
traumas.
Estou em constante expansão.
Sou oceano e mereço mergulho em profundidade.