
Poder contar sua própria história é um direito, que muitas vezes pode ser negado, pois há interesses no silenciamento do passado para manter apenas a versão dos livros e das academias, calando a voz da raiz da história popular, que ecoa pelos monumentos, pelas ruínas, pelas estradas, pelas paisagens. Pelo Coreto de Passagem.
O território é sempre palco de disputa, quem controla a narrativa, a versão dos fatos, pode até tentar controlar a história, e dizer o que quer que seja promovendo um silenciamento do que não é interesse.
Muitas versões dessa história oficial fazem as pessoas se omitirem, principalmente quando exigem para reconhecimento da memória documentos oficiais ou validação de fora da comunidade para significar o que está intrinsicamente ligado a vida das pessoas pela tradição.

Nome de lugares, cidades, rios, são alterados para homenagear algum aliado político. Monumento ou ruínas que trazem uma história popular que não se encaixam em interesses são relegadas ao tempo para serem destruídas e apagadas para em seu lugar erguer-se uma casa ou mineração.
Ainda temos até as estradas que são interrompidas, cercadas, limitando a circulação das pessoas em função de uma propriedade artificial que violenta os caminhos com cercas. História é a vida em movimento, o passado sempre muda de acordo com interesses.
Recuperar parte dessa memória, dos lugares, ruínas e das figuras históricas que naturalmente a bibliografia a academia durante muito tempo ofuscou, é importante para termos direito as narrativas próprias do passado através da valorização da oralidade, dos causos, das lendas, do território, e com elas o reconhecimento da tradição das comunidades. Isso feito sem a necessidade de carimbo, chancela, ou laudo pericial de órgão público ou dissertação acadêmica. È a comunidade que deve contar sua história e proteger seu território.
O extermínio dos povos nativos e quilombolas em Minas Gerais é um exemplo desse desafio de contar a própria história. O Parque do Gogo, que engloba o Morro Santo Antônio, Morro Santana e a Igreja e cemitério anglicanos em Passagem em sua luta para existir também se insere nesse contexto de valorização da memória, cultura e história contato pelo próprio povo trazendo outra versão dos fatos.
Muitas pessoas aprenderam a esquecer apagando seu passado pois ele foi condenado pelas narrativas oficiais. Hoje felizmente vemos o contrário acontecer, fomentando o orgulho do passado nas comunidades quilombolas por exemplo.
O Coreto de Passagem é um claro exemplo da luta para ter a própria história, pois num só local tanta história já se passou e ninguém pode ser dono das memórias ou mudar a narrativa passado se apossando do bem físico. Tentam mudar a história, mas não conseguem voltar para apagar o passado.