Por: Rozembergue Alex Teixeira
O prefeito de Mariana e presidente do Consórcio Público para Defesa e Revitalização da Bacia do Rio Doce (Coridoce), Juliano Duarte, recebeu nesta segunda-feira 31 de agosto de 2026, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, para a assinatura de um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o Ministério de Minas e Energia (MME) e o consórcio.
O acordo formaliza uma parceria para a implementação do projeto Escolas Resilientes do Rio Doce, que prevê a instalação de aparelhos de ar-condicionado nas salas de aula e sistemas de energia solar em escolas da Bacia do Rio Doce, nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo. A iniciativa será desenvolvida por meio do Novo Acordo do Rio Doce e contará com cerca de R$ 100 milhões em investimentos.
Durante a solenidade, autoridades, representantes das comunidades atingidas e profissionais da educação destacaram a importância do projeto para melhorar a infraestrutura das escolas, proporcionar melhores condições de ensino e aprendizagem e ampliar as ações de prevenção.
Juliano Duarte destaca importância do investimento
Na abertura do evento, Juliano Duarte deu as boas-vindas aos participantes e agradeceu a presença do ministro Alexandre Silveira, dos prefeitos integrantes do Coridoce e dos demais representantes envolvidos na construção do projeto.
O prefeito também explicou que o atraso no início da solenidade ocorreu porque o ministro estava visitando obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Mariana, especialmente ações relacionadas ao patrimônio histórico.
“O patrimônio não é de Mariana, o patrimônio é do mundo”, afirmou Juliano, destacando que as obras visitadas estão em fase avançada.
Ao abordar o projeto Escolas Resilientes, o prefeito ressaltou a importância da educação como instrumento de transformação social.
“A gente sabe da importância da educação, que é um pilar de transformação da nossa sociedade”, declarou.
Segundo Juliano, o investimento permitirá melhorar as condições das escolas dos municípios que fazem parte da Bacia do Rio Doce, beneficiando alunos, professores e equipes técnicas.
“Esse grande investimento que será feito no nosso território vai colocar as nossas cidades como cidades-escolas-modelos para todos os nossos alunos da Rede Municipal de Educação e também para os nossos professores e corpo técnico que trabalham em nossas escolas municipais”, afirmou.
Juliano também agradeceu ao ex-prefeito de Mariana e ex-deputado federal Duarte Júnior e a outras pessoas que, segundo ele, contribuíram para que o projeto chegasse à etapa de assinatura.
Ao final de sua fala, o prefeito agradeceu aos prefeitos presentes e ao governo federal pela participação na construção do projeto.
“Tenho certeza que esse dia de hoje, essa assinatura, será histórica para investimento na nossa educação municipal”, afirm
Representando o território de Mariana no Conselho Federal de Participação Social da Bacia do Rio Doce e Litoral Norte Capixaba, Mônica dos Santos destacou a importância da assinatura do acordo para as comunidades diretamente atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão.

“Hoje estamos aqui para celebrar um passo importante: a assinatura do acordo de cooperação técnica entre o Ministério de Minas e Energia e o Coridoce para a implantação do projeto Escolas Resilientes do Rio Doce”, afirmou.
Mônica destacou que o conceito de resiliência possui um significado especial para as comunidades atingidas e defendeu que as escolas sejam espaços de conhecimento, prevenção e proteção.
“Queremos que nossas escolas sejam espaços de conhecimento, prevenção e proteção. Que nossas crianças aprendam a conhecer o território onde vivem, sua história, seus riscos e, principalmente, seus direitos”, declarou.
A representante também chamou atenção para as dificuldades enfrentadas pelas comunidades no acesso a programas de reparação. Segundo ela, critérios, burocracia e a quantidade de documentos exigidos podem criar barreiras para quem necessita dos recursos.
“Precisamos simplificar, precisamos ouvir as comunidades e precisamos garantir que esses recursos cheguem de fato a quem teve sua vida, sua casa, sua história e seu território destruídos”, afirmou.
Mônica ressaltou ainda que os recursos da reparação estão relacionados a uma tragédia que deixou mortes, perdas e impactos sociais e ambientais.
“Quando falamos em reparação, não estamos falando simplesmente de números, programas ou recursos financeiros. Estamos falando de vidas”, disse.
Para ela, o projeto deve ir além da estrutura física das escolas e contribuir também para que as novas gerações conheçam a história do território e aprendam sobre prevenção.
“Que essa assinatura não seja apenas um ato simbólico. Que seja um compromisso com a vida, com a memória, com a prevenção e com a participação das comunidades”, afirmou.
Mônica também defendeu que os recursos cheguem efetivamente às comunidades atingidas, citando localidades como Bento Rodrigues, Paracatu, Camargos, Pedras, Campinas, Ponte do Gama e Paracatu de Cima.
A pedagoga Maglice Miranda Reis, profissional efetiva da Rede Municipal de Ensino de Mariana desde 2013, destacou a importância da instalação de aparelhos de ar-condicionado nas salas de aula.

Segundo ela, a medida não deve ser considerada um luxo, mas uma condição importante para melhorar o ambiente escolar e favorecer o processo de ensino e aprendizagem, principalmente diante das ondas de calor.
“Eu queria dizer da alegria que é receber essa notícia que é a implantação de ar-condicionado nas nossas salas de aula”, afirmou.
Maglice explicou que temperaturas elevadas podem prejudicar a concentração dos estudantes.
“Para que eles aprendam, é muito importante ter atenção, participar e permanecer em sala de aula. E conseguir isso com temperaturas extremamente elevadas é praticamente impossível”, declarou.
A pedagoga também relacionou a melhoria da infraestrutura à valorização dos profissionais da educação. Para ela, além da formação e da valorização dos professores, é necessário garantir boas condições de trabalho.
“A escola não é apenas currículo, planejamento, metodologia. Ela é também um espaço físico”, destacou.
Segundo Maglice, o calor excessivo provoca desconforto, cansaço, irritabilidade e dificuldade de atenção.
“Se nós tivermos condições melhores de trabalho, condições melhores para ensinar e aprender, consequentemente teremos uma melhora na qualidade da educação”, afirmou.
Em nome dos educadores, a pedagoga agradeceu pelo investimento.
O diretor do Departamento de Ações Estratégicas do Iphan, Daniel Sombra, também participou da solenidade e destacou a presença do governo federal em Mariana.

Daniel ressaltou a importância da visita do ministro à cidade e citou ações relacionadas à preservação do patrimônio cultural. Segundo ele, existem mais de 55 ações em Minas Gerais, com mais de R$ 260 milhões viabilizados pelo novo PAC para esse setor.
“É uma alegria ver essas ações em andamento, acompanhar aqui junto com a prefeitura, a equipe da prefeitura, essas ações”, afirmou.
Daniel também destacou a possibilidade de integração entre os Ministérios de Minas e Energia e da Cultura, além da contribuição do setor mineral para iniciativas sociais e culturais.
“A gente pode ver aqui na prática como, de certa forma, o Ministério de Minas e Energia e o Ministério da Cultura podem contribuir e se unir justamente para preservar esse patrimônio cultural”, declarou.
Após a assinatura do acordo, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, fez seu pronunciamento e relembrou sua trajetória na vida pública e sua relação com Minas Gerais.

Silveira afirmou que, ao assumir o Ministério de Minas e Energia, estabeleceu como uma das prioridades a busca pela reparação relacionada às tragédias de Mariana e Brumadinho.
Em sua fala, o ministro também relembrou as negociações que resultaram no novo acordo de reparação e destacou a dimensão dos danos provocados pelas tragédias.
Segundo Alexandre Silveira, o acordo representa uma oportunidade para reparar danos sociais, pessoais e ambientais, embora os recursos não sejam capazes de apagar as perdas humanas.
“É um acordo que vem reparar danos sociais, danos pessoais, danos ambientais, mas que não vai nunca tirar da alma de nós mineiros a dor e da nossa cabeça e da nossa memória a tristeza das perdas de tantos irmãos e irmãs”, afirmou.
O ministro também ressaltou que a tragédia de Mariana provocou a perda de 20 vidas e defendeu que situações semelhantes não voltem a acontecer no país.
“Não podemos admitir que o dano volte a acontecer em nenhuma parte do nosso país”, declarou.
Silveira também destacou a importância da atividade mineral para o desenvolvimento econômico e a necessidade de conciliar a exploração dos recursos naturais com responsabilidade e segurança.
Acordo é formalizado em Mariana



Após os pronunciamentos, o ministro Alexandre Silveira e o prefeito Juliano Duarte realizaram a assinatura do Acordo de Cooperação Técnica entre o Ministério de Minas e Energia e o Coridoce, formalizando a implementação do projeto Escolas Resilientes do Rio Doce.
A iniciativa prevê investimentos de aproximadamente R$ 100 milhões para ações nas escolas da Bacia do Rio Doce, incluindo a instalação de aparelhos de ar-condicionado nas salas de aula e sistemas de energia solar, além de ações voltadas à prevenção e à resiliência.
A proposta pretende melhorar a infraestrutura das unidades de ensino e criar ambientes mais adequados para alunos e profissionais da educação, ao mesmo tempo em que busca fortalecer a conscientização das novas gerações sobre o território, a prevenção de riscos e a história da Bacia do Rio Doce.

A solenidade reuniu prefeitos de municípios integrantes do Coridoce, representantes do governo federal, profissionais da educação e representantes das comunidades atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão.
Para receber notícias no seu WhatsApp clique aqui
E para receber notícias da nossa página no Facebook
Se inscreva no nosso canal do you tube para receber nossas reportagens, clique aqui
SAL : Serviço de atendimento ao leitor – para enviar mensagem, informar erro, elogiar, solicitar cobertura jornalística ou indicar pauta, entre em contato com o Serviço de atendimento ao leitor, via whatsapp, clique aqui