Em 2023, além de enfrentar as despesas regulares programadas para o ano, houve também o desafio de resolver o déficit de R$ 73 milhões herdado pelas administrações anteriores.
Por: João B. N. Gonçalves e Hynara Versiani
Na última quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024, em audiência pública realizada na Câmara Municipal, a Secretaria de Planejamento, Suprimentos e Transparência de Mariana apresentou a prestação de contas dos últimos quatro meses de 2023.
De acordo com os dados apresentados, o município arrecadou R$ 692,4 milhões no ano passado — R$ 98,4 milhões a mais do que o previsto, no valor de R$ 594 milhões.

Segundo o secretário de Planejamento, Suprimentos e Transparência, o Sr. Germano Zanforlim, a principal razão para o crescimento da receita municipal é o recebimento de recursos da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM). “Esses são recursos que não tinham caído proporcionalmente nos meses anteriores, principalmente CFEM. Eles acabam sendo ajustados entre outubro e dezembro, o que gera essa diferença de comportamento”, explica.

Em 2023, além de enfrentar as despesas regulares programadas para o ano, houve também o desafio de resolver o déficit de R$ 73 milhões identificado no ano de 2022. “Uma vez que sabíamos que a estimativa para 2023 era de 594 milhões, não podíamos pensar uma despesa maior para aquele ano. É uma medida de segurança. Esse era o comportamento esperado, e quase um reflexo unânime de tudo que tivemos nos últimos 5 anos”, relembra.
No terceiro quadrimestre de 2023, houve uma despesa paga de R$ 239 milhões e uma despesa liquidada de R$ 200 milhões. De acordo com o secretário, a despesa liquidada costuma ser mais alta que a paga, porém, a inversão foi uma decisão de gestão. “Ao chegar em setembro com a notícia do déficit, sem ainda a perspectiva do que aconteceria em outubro e dezembro, tomou-se a decisão de redução significativa de despesas.”
Junto a isso, optou-se pelo enfrentamento do pagamento de tudo que estava em aberto ainda em 2023. “Além dos compromissos do 3° quadrimestre, que se cumprissem todos os compromissos assumidos no anterior e nos anos anteriores que tinham chegado a esse quadrimestre”, diz o secretário. Para ele, a diferença significativa de praticamente 40 milhões entre a despesa liquidada e a despesa paga é um reflexo de despesas pagas de quadrimestres anteriores que acumulavam despesas.

Esse fenômeno se explica também pelo recurso de superávit na conta bancária da prefeitura. O sistema não permite que se gere uma despesa se não houver uma receita a ser utilizada, porém, é possível identificar saldo financeiro de contas e lançar isso no sistema pra que ele permita executar as despesas. “Em 2022, foi suplementado um orçamento na casa de R$ 102 milhões, o que se entendeu e permitiu completar o exercício sem impedimento operacional”, explicita Zanforlim.
O secretário esclarece que esse recurso é totalmente legal e legítimo, porém, não impacta no valor da receita: “Ele permite que você evolua tecnicamente, sem necessariamente ter essa receita. Não é a condição mais adequada, nem mais segura, por isso tivemos todas as medidas de austeridade determinadas e conduzidas em 2023”. Zanforlim explica que esse saldo existe apenas por ter sido retirado de outro destino, que deveria tê-lo recebido.

O vereador Manoel Douglas, “Preto do Cabanas”, reforça os pontos apresentados pelo secretário e destaca a importância de apresentar os dados de forma clara para a população. “A partir do momento que o dinheiro pode ser utilizado para outras despesas, é preciso tomar cuidado. Não se pode utilizar todo esse recurso de forma irresponsável, em despesas do ano subsequente” alerta.