
Dom Antônio Ferreira Viçoso, nasceu em Peniche, Portugal, em 13 de maio de 1787. Ele foi o 7º bispo de Mariana. Na época do seu episcopado, só havia uma diocese em todo estado de Minas Gerais, cuja sede foi criada em Mariana, em 1745, pelo Papa Bento XIV, a pedido do rei de Portugal, Dom João V.
Todo dia 13 de cada mês, um grupo de fiéis, liderado pela Sra. Efigênia Sacramento, sai da porta da Catedral de Marina, às 6h, passando pela Praça Gomes Freire, com destino à Colina da Cartuxa. Foi na Cartuxa que faleceu Dom Viçoso, em 7 de julho de 1875, pobre e respeitado por seu legado e com fama de santidade. A Cartuxa dista 6 km do Centro Histórico de Mariana. No alto da colina, fica a pequena casa onde o sétimo bispo de Mariana passou seus últimos dias. Em seus jardins, é celebrada a santa missa, às 8h30, todo dia 13.
O primeiro processo de beatificação aberto em Minas é o de Dom Viçoso. Foi iniciado por Dom Silvério Gomes Pimenta. O primeiro bispo preto do Brasil, Dom Silvério, se formou no Seminário de Mariana graças ao empenho do Dom Viçoso que custeou seus estudos. Trata-se de uma época em que era difícil para os pretos porque não tinham acesso às escolas, inclusive Seminários.
Durante 60 anos, o processo ficou parado. Na década de 1960, Dom Oscar de Oliveira o reabriu. Antes de Dom Silvério, Dom Viçoso já havia aberto o seminário para outros alunos pretos, entre eles destacamos Francisco de Paulo Victor, da cidade de Campanha-MG, ex-escravo. Hoje, Pe. Victor que faleceu em Três Pontas-MG já é beato, reconhecido pelo Vaticano.
Muito antes de morrer, os fiéis já acreditavam na santidade de Dom Viçoso. Carlos Drummond de Andrade escreveu o poema “Santo Particular” para homenageá-lo como o santo da devoção de seu pai. A cidade de Viçosa recebeu este nome em sua homenagem. Há famílias que incluíam a palavra Dom Viçoso no nome em seus filhos. Assim, reverenciavam aquele que foi a primeira voz em Minas a gritar contra a escravidão.

Dom Viçoso era um homem iluminado e avançado para seu tempo. Preocupado com o procedimento dos homens, mandou buscar em Paris, em 1848, as Filhas da Caridade, educadoras francesas, para criar, em Mariana, o Colégio Providência, primeira escola feminina de Minas Gerais. É dele a seguinte frase: “Somente educando a mulher, oferecendo-lhe uma boa condição cultural, é que teremos uma sociedade mais civilizada e preparada para dar à pátria cidadãos completos. Não vos esqueçais de que a mulher, sobretudo a mãe, será sempre a primeira mestra”.
Segundo o prof. Maurílio autor do livro “Reforma do Clero em Minas no século XIX”, “D. Viçoso restaurou o Seminário de Mariana, material e pedagogicamente, tornando-o um dos principais centros de estudos de humanidades no país.
Como bispo, visitou por três vezes, a cavalo ou de liteira, todo o território da diocese, na época, superior ao da França. O bispo desenvolveu por 31 anos, longo e profícuo trabalho pastoral, reformando o clero, animando a vida religiosa da diocese, construindo casas de educação e asilos, defendendo a autonomia da Igreja contra as intervenções abusivas do poder civil (regime do Padroado) e contra as agressões do liberalismo.”
Em 13 de dezembro de 2007, na Catedral de Mariana, o Arcebispo de Mariana e então presidente da CNBB, D. Geraldo Lyrio Rocha, instalou o Tribunal Eclesiástico para exame e avaliação de suposto milagre, condição canônica para beatificação de D. Viçoso. De acordo com a Arquidiocese, trata-se da primeira sessão de um terceiro processo.
O milagre legitimamente comprovado, segundo as normas da Santa Sé, é uma exigência relevante e demonstra a aceitação divina para este pleito da Igreja. Se aprovado este último processo referente ao milagre, o Servo de Deus será distinguido com o Decreto Pontifício da Beatificação que lhe permite um culto limitado, restrito a uma determinada região.
A última fase, a canonização, propõe como modelo de santidade à Igreja Universal aquele Venerável, anteriormente beatificado. A primeira parte do processo, de caráter histórico, encerrou-se com a aprovação pela Santa Sé da Exposição escrita pelo historiador e filósofo prof. Maurílio Camello, abordando a vida e personalidade de D. Viçoso conhecido por seu humanismo e por lutar contra a escravidão. Além do mais, era profundamente preocupado com o meio ambiente.
Desde que chegou ao Brasil, em 1820, ele já escrevia e pregava contra as queimadas e o desmatamento. Dom Viçoso foi ordenado sacerdote pela Congregação da Missão, em 1818, na Sé Patriarcal de Lisboa.
Em 1819, o Superior da Congregação da Missão, atendendo a pedido de Dom João VI, para que mandasse sacerdotes para o Brasil, enviou o jovem Padre Viçoso e seu coirmão Pe. Leandro Rabelo de Castro. Foram encaminhados ao interior de Minas, a um edifício de sólida construção, deixado pelo ermitão Irmão Lourenço para que fosse instalado ali alguma obra de ação social.
Naquele local, os dois padres fundaram o Colégio do Caraça de onde saíram, com o passar do tempo, figuras importantes para a história nacional, como os ex-presidentes Affonso Penna e Arthur Bernardes.
Em 1843, Padre Viçoso foi nomeado 7º Bispo de Mariana, por apresentação do Imperador Dom Pedro II, pois, no Brasil, àquela época, vigorava o regime de Padroado, ou seja, a Igreja Católica era unida ao Estado.
Quanto à escravatura, D.Viçoso sempre protegia os negros, escrevia e pregava a favor da abolição do regime escravocrata. Publicou artigos e opúsculos, além de sermões e catequeses que compõem hoje o acervo do Arquivo Arquidiocesano de Mariana.
Assim viveu o homem que revolucionou a formação do povo mineiro, no Século XIX. Era a única voz de Minas ouvida pelo Imperador D. Pedro II, expressando sempre a este sua opinião com firmeza e dignidade.
Merania Oliveira
Presidente do Instituto Roque Camêllo
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