Queimadas deixam Mariana em estado de emergência

    Para enfrentar os incêndios, a prefeitura da cidade realizou parcerias com a Brigada de Bombeiros do Estado e com Corpo de Bombeiros Voluntário Civil

    Por: João B. N. Gonçalves e Hynara Versiani

    Na última segunda-feira, 2 de setembro de 2024, a Prefeitura de Mariana decretou estado de emergência por conta das queimadas e incêndios que rondam o município há mais de uma semana. A medida, válida por 60 dias, tem como objetivo intensificar ações de combate e prevenção, bem como proteger a saúde e a segurança da população.

    A decisão da prefeitura considera vários fatores, entre eles o prolongado período de seca que Mariana e região enfrentam. São 180 dias sem chuvas substanciais, contribuindo para o esgotamento dos mananciais e aumentando o risco de incêndios nas matas. Até o momento, ainda não se sabe o tamanho da área devastada pelas queimadas, mas a fumaça e a fuligem pairam sobre a cidade há uma semana.

    O decreto também autoriza o Poder Executivo a adiar eventos que possam gerar grandes aglomerações, como shows, com foco em evitar riscos adicionais à segurança pública. O documento também define algumas medidas emergenciais, como a mobilização dos órgãos municipais com foco em responder a desastres relacionados às queimadas.

    Durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira, 3 de setembro, o prefeito Celso Cota destacou a gravidade da situação, comparando a crise enfrentada por Mariana com outras regiões de Minas Gerais e do Sudeste brasileiro. “Acompanhando a mídia estadual, vemos que a situação não é só na região. Temos vários municípios em Minas Gerais com temperaturas de deserto. Todo o entorno da cidade de Ouro Preto está em chamas. Residências de Nova Lima já estão em risco de serem acometidas pelas chamas”, disse.

    Celso Cota ressaltou que alguns incêndios, como o que ocorreu na região do Matadouro, foram provocados criminosamente: “O incêndio do Matadouro foi criminoso, em uma mata muito seca e alta. É uma mata com árvores robustas. Na sexta-feira, a mata do seminário na região da Cartuxa começou também a ser atingida pelas chamas. O fogo, nesse período de muita seca, de mais de 180 dias sem chover, se eleva, com o vento alastrando mais ainda”.

    O prefeito ressaltou o trabalho realizado pelos órgãos públicos no combate aos incêndios e destacou as parcerias feitas com o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais e com o Corpo de Bombeiros Voluntário Civil de Mariana. “Quando pedimos ajuda ao Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, todos estão em campo. E é o mesmo com o Corpo de Bombeiros Voluntário Civil. Estamos juntando esforços para mitigar a situação em Mariana”, afirmou o prefeito.

    A Secretária de Segurança Pública, Capitã Marta Guido, falou sobre as ações da polícia para identificar e coibir os responsáveis pelas queimadas. “Nesse período, é intensificado o patrulhamento para identificar essas pessoas que ainda têm essa ação criminosa. É uma situação muito complicada, não é uma tarefa fácil. Muitas vezes, precisamos da colaboração da comunidade para identificar essas pessoas. Às vezes, é uma pessoa caminhando com um cigarro, e só isso já causa todo esse dano que estamos vendo”, declarou.

    Na semana passada, a Câmara de Mariana aprovou o Plano Municipal de Mudanças Climáticas, que inclui a criação de um comitê voltado ao combate a desastres ambientais. O secretário de Meio Ambiente, Anderson de Aguilar, explicou as medidas já em andamento: “Várias ações são realizadas para tentar evitar que a situação chegue nesse ponto, começando em maio, com a retirada da massa seca de vegetação, propícia a incêndios e a retirada dos lixos nas beiras de estradas, em áreas públicas e privadas que estão sob risco de incêndio”, informou Aguilar.

    O secretário destacou que o novo plano é uma etapa crucial para o fortalecimento das políticas ambientais do município. “O plano é mais um passo para fortalecer essas políticas. O comitê trata de assuntos ligados não só às mudanças climáticas, mas também será dedicado ao combate a grandes desastres. Isso inclui desde o período de seca que estamos vivendo hoje até os momentos de chuvas intensas”, detalhou.

    O comitê estará associado ao Plano Municipal de Conservação da Mata Atlântica e ao Plano de Arborização Urbana, que visa a diminuição de temperaturas e ao conforto térmico da cidade. O plano estará também integrado com o programa estadual “PrevIncêndio”, que, segundo e secretário, prevê um reforço significativo no próximo ano, para aumentar a previsibilidade e a capacidade de resposta a desastres ambientais, evitando que situações como a atual se repitam.

    fotos dos incêndios são das redes sociais

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