SAAE  faz 8.500 entregas de água via caminhão pipa em sete meses em Mariana

    Moradores do bairro Santo Antônio têm usado água do Ribeirão do Carmo para atividades domésticas

    Segundo dados do SAAE somente entre os meses de outubro de 2023 e maio deste ano foram mais de 8,5 mil atendimentos realizados por 13 caminhões-pipa de 10 mil litros e 2 caminhões de 20 mil litros de capacidade, que abastecem as áreas mais afetadas seguindo um cronograma emergencial. O bairro Rosário, é o que mais  recebeu caminhões pipa: foram 3.270 viagens ( entre outubro de 2023 e maio de 2024).  

    Segundo o contrato do SAAE com a fornecedora apenas dos caminhões-pipa de 10 mil litros, o valor global da contratação é de R$ 3.958.000. O contrato é válido até dezembro de 2024.

    Por: João B. N. Gonçalves e Hynara Versiani

                Nas últimas semanas, Mariana enfrenta uma severa crise hídrica. Com mais de 180 dias de estiagem, os efeitos das queimadas e o esgotamento dos recursos hídricos da região, moradores de bairros mais afastados e distritos relatam a precariedade do abastecimento de água, enfrentando rotinas dramáticas para garantir o mínimo necessário para sobreviver.

                Em relatos nas redes sociais, moradores do bairro foram vistos utilizando a água do rio Ribeirão do Carmo para a limpeza doméstica, lavar banheiros e terreiros e até mesmo para lavar roupas. Em muitos casos, a água é fervida antes de ser usada, mas a falta de condições adequadas coloca em risco a saúde das famílias. Parte da comunidade está sem abastecimento de água há cerca de duas semanas.

                Rondineres Maia, morador do bairro Rosário, destacou que os problemas com a falta de água são crônicos. “Desde 1985, o bairro não tem abastecimento regular, mas, nos últimos 11 anos, a falta d’água ultrapassa 15 dias dentro de cada mês”. Ele explica que a falta de água afeta diretamente a dignidade dos moradores. “Não temos água para necessidades básicas, alimentação e higiene. Estamos sobrevivendo com caminhões-pipa e comprando galões para cozinhar”, lamenta.

    A insatisfação com o poder público é evidente. Rondineres cobra medidas efetivas: “Espero que as autoridades tomem as providências administrativas e legais, cumpram as obrigações contratuais que já foram pagas com os recursos dos nossos impostos”.

    No último sábado houve um protesto que fechou as ruas do bairro Rosário devido a falta de água para a população.

    Há casos também de escolas que soltaram os alunos mais cedo devido a falta de água, como escola estadual João Ramos Filho no bairro Cabanas, nos afirmou uma professora.

    Outro relato vem do distrito de Furquim, onde um morador que prefere não se identificar expressa sua frustração: “Ano após ano, a comunidade continua sofrendo com a escassez de água. Até quando nossas terras serão exploradas e nós, moradores, não teremos o mínimo retorno, que é a água em nossas torneiras ?”.

    Durante a última reunião ordinária da Câmara de Mariana, moradores do Rosário, São Gonçalo, Cabanas e Passagem de Mariana foram à Casa de Leis protestar pela falta d’água. Esses moradores afirmam estar sem água há dez dias e, em alguns casos, há dois meses. “A gente busca na Fonte da Glória, água para lavar vasilha, arrumar a casa. Para banho, a gente usa nossa reserva, e precisamos lavar roupa fora.

    A moradora da parte alta do distrito Passagem de Mariana, Tânia Arantes, relata estar sem água há dois meses e que precisa buscar outras alternativas para abastecer a sua casa. Ela diz que sua família obteve uma reserva para esses momentos, mas que não é o suficiente.

    Segundo dados do SAAE, apresentados durante audiência pública de prestação de contas realizada em maio, somente entre os meses de outubro de 2023 e maio deste ano foram mais de 8,5 mil atendimentos realizados por caminhões-pipa em Mariana. Sendo o bairro Rosário, o que mais necessita, 3270 ocorrências no período. Veja os dados completos no gráfico abaixo:

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