Ouro Preto recebe documentário que celebra a vida e obra de Affonso Ávila

    Filme retrata a trajetória de um dos maiores nomes da literatura brasileira e sua conexão com a cidade

    Por: Hynara Versiani

    Ouro Preto recebeu, nos dias 29 e 30 de novembro, o documentário “Cristina 1300 – Affonso Ávila – Homem ao termo”, uma celebração à vida e obra de um dos maiores poetas brasileiros da segunda metade do século XX, Affonso Ávila. A produção, dirigida por Eleonora Santa Rosa, mergulha na poesia construtivista, experimental e crítica do poeta. O filme foi exibido no Anexo do Museu da Inconfidência e na Igreja de São Francisco de Assis.

    A diretora Eleonora Santa Rosa, que conviveu com o poeta por mais de três décadas, destaca a importância de divulgar a obra de Affonso Ávila para as novas gerações. “Todo esse tipo de iniciativa, empreendimento de levar a cultura brasileira, particularmente nos campos da literatura e da poesia, ou em outras vertentes, é crucial e essencial”, afirma.

    Para ela, o documentário é um resgate à poesia de Affonso, que sempre foi conhecido pela sua ensaística do barroco: “Affonso dá uma visão completamente nova, inovadora do barroco, particularmente do barroco mineiro. Temos agora essa oportunidade de trazê-lo para a juventude”. Por isso, interessa à diretora que a obra esteja em mostras e festivais, para que o filme circule para a nova geração.

    Com sua história e arquitetura, Ouro Preto inspirou Affonso a criar alguns de seus poemas mais importantes. Eleonora destaca a relação entre o poeta e a cidade: “Ela era íntima e profunda. Um dos mais belos livros de Affonso é Cantaria Barroca, e ele teve a ideia em Ouro Preto, quando trabalhou como coordenador de suporte histórico do plano da Unesco”.

    A diretora diz que “Cantaria Barroca” leva esse nome por conta da pedra de cantaria, completamente calcada em Ouro Preto. “Affonso sempre foi um entusiasta de Ouro Preto, e a maior homenagem dele é ‘Cantaria Barroca’, que, inclusive, trazemos para o filme”, diz.

    O documentário apresenta uma seleção de poemas de Affonso Ávila, que são acompanhados por imagens, animações e uma trilha sonora original que dialoga com a poesia. A diretora explica que a escolha dos poemas foi feita em conjunto com o poeta, antes de seu falecimento, e que a montagem busca transmitir a força e a singularidade da obra de Ávila.

    A exibição do documentário em Ouro Preto foi uma oportunidade de conhecer a vida e a obra do poeta. Após as sessões, foram feitos debates com a diretora Eleonora Santa Rosa, o artista plástico Carlos Bracher e a coordenadora e idealizadora do Fórum das Letras, Guiomar de Grammont, que abordaram a relação de Affonso Ávila com Ouro Preto e a importância de sua obra para a cultura brasileira.

    Guiomar de Grammont define Affonso Ávila como o maior teórico do barroco que já existiu em Minas Gerais. “A obra dele é importantíssima, incrível, uma obra que atravessa o tempo”, ressalta. Ela relembra que o poeta o tempo todo cantou Ouro Preto e tematizou a cidade, fazendo dela sua musa.

    “Ele tirou daqui reflexões riquíssimas sobre as obras de arte, os monumentos que estão aqui, e sobre a atmosfera da cidade em geral. Ele realmente deu a Ouro Preto uma dimensão internacional, a dimensão que essa cidade tão interessante, com tantas ressonâncias históricas, merece”, celebra Guiomar.

    Para ela, Affonso foi um poeta que, ao mesmo tempo, “tinha um pé na tradição, e um pé no futuro”. Guiomar afirma que sua poesia era da melhor qualidade, mas muito ousada e original: “Era muito diferente de tudo, e muito, sobretudo, surpreendente. Até hoje, é uma poesia que olhamos e pensamos, ‘isso é o futuro’, a poesia do futuro é a poesia de Affonso Ávila”.

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