Lúpus também afeta os olhos: saiba por que incluir a visão no cuidado com a doença

    Especialistas alertam que manifestações oculares são comuns em pacientes com lúpus e podem comprometer a qualidade de vida se não forem tratadas precocemente

    Maio marca o mês de conscientização sobre o lúpus, uma doença autoimune crônica que pode atingir múltiplos órgãos do corpo — incluindo pele, articulações, rins e coração. Menos conhecida, porém igualmente relevante, é a manifestação ocular da doença, que pode comprometer significativamente a qualidade de vida dos pacientes. Muitas vezes, esses danos são silenciosos e por isso, a importância de ampliar o olhar sobre o lúpus e incluir os cuidados com a visão no acompanhamento clínico regular.

    Segundo especialistas, cerca de um terço dos pacientes com o lúpus eritematoso sistêmico (LES) desenvolvem algum tipo de alteração ocular. De acordo com Dra.Paula Veloso, oftalmologista do Instituto de Olhos Minas Gerais (IOMG) as manifestações mais comuns incluem olho seco, causado pela inflamação das glândulas lacrimais, além de inflamações mais severas, como retinopatia, neurite óptica e esclerite.  Em casos mais severos, o comprometimento da visão pode ser irreversível se não houver diagnóstico precoce. “Mesmo na ausência de sintomas visuais, é fundamental que pacientes com lúpus realizem consultas oftalmológicas periódicas”, orienta o especialista.

    Outro ponto de atenção está relacionado ao tratamento. Medicamentos como corticoides e imunossupressores, amplamente utilizados no controle do lúpus, podem desencadear efeitos colaterais oculares importantes, como aumento da pressão intraocular (glaucoma) e formação de catarata. A monitorização adequada por um oftalmologista ajuda a detectar precocemente essas alterações e reduzir seus impactos.

    “A atenção à saúde ocular deve ser parte do cuidado multidisciplinar com o paciente com lúpus. Muitas manifestações são silenciosas, mas podem ser identificadas em exames de rotina, evitando prejuízos mais graves à visão”, afirma Dra Paula. Este cuidado multidisciplinar e preventivo é importante também em pacientes jovens, grupo que concentra a maioria dos diagnósticos de lúpus, principalmente entre mulheres em idade fértil.

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