Por: João B. N. Gonçalves e Hynara Versiani

A preservação do Parque Arqueológico do Morro Santana, conhecido como Gogô, foi o centro das atenções em uma audiência pública realizada na noite desta quinta-feira, 5 de junho de 2025, no salão comunitário da comunidade. Promovido pela Câmara Municipal de Mariana, o encontro teve como objetivo esclarecer dúvidas, apresentar propostas e envolver a população local na discussão sobre o futuro de um dos maiores sítios arqueológicos do período colonial em Minas Gerais.
A audiência foi convocada a partir do Requerimento nº 74/2025, de autoria dos vereadores Ítalo de Majelinha e Ronaldo Bento. Além dos parlamentares, participaram moradores da região, pesquisadores, representantes da Prefeitura de Mariana e da Mina da Passagem Sr. Roberto Rodrigues.
O professor e morador do Morro Santana, Eduardo Campos, fundador do Museu Minas do Gogo, foi enfático ao destacar o valor histórico do sítio arqueológico, que abriga ruínas de construções em pedra, antigas minas de ouro, túneis e ferramentas da época da mineração colonial. “É o único resquício que temos da fundação de Mariana, que está extremamente ameaçado. A prefeitura fez projetos que não saem do papel nesses quase 25 anos. É a história dos negros escravizados, em Mariana, esse patrimônio está aqui, preservado. O Brasil corre o risco de perder esse patrimônio, que poderia ser um diferencial para o turismo”, afirmou.
A arqueóloga Alenice Baeta afirmou a relevância singular do Gogô para o estado. “O Parque do Gogo é o sítio mais importante de Minas Gerais e merece respeito e cuidado porque ele tem estruturas que não tem em nenhum outro lugar no Brasil, disse, ressaltando a necessidade de intervenção e ampliação dos mecanismos de proteção.

O vereador Ronaldo Bento disse que a audiência pública foi importante para buscar entendimento. “Essa audiência pública se finaliza com as pergunta: Qual o interesse real da gestão pública para com essa comunidade e esse patrimônio? O que nós podemos fazer para preservar vidas e nossa história ?”
O vereador Ítalo de Majelinha, autor do requerimento que originou a audiência junto com Ronaldo Bento, destacou a necessidade de ouvir todos os envolvidos e construir soluções conjuntas. “Essas áreas são ameaçadas diretamente pela mineração e indiretamente pela ocupação desordenada. A nossa intenção é tratar da preservação onde temos história. Precisamos entender a situação, mapear e construir pontes. Não queremos disputa judicial, queremos diálogo para preservar um bem de todos e salvar vidas, visto que já aconteceram acidentes no parque do Gogo.”, afirmou.

O professor Leandro H. dos Santos, figura ativa na luta pela preservação do Parque do Gogo, reforçou a importância da participação popular. “Parabéns ao vereador Ítalo e Ronaldo Bento por estarem em consonância com a comunidade.
A vida é o nosso maior patrimônio. Tivemos acidentes graves aqui, inclusive uma tragédia em 2016. Precisamos preservar vidas e nossa história”, disse.
Prof. Leandro relembrou o contexto histórico da região, associando o parque do Gogo à chamada Rota dos Escravizados, reconhecida pela Unesco. “Esse conjunto arqueológico está inserido nessa rota. Ele carrega memórias fundamentais sobre a origem de Mariana e do Brasil. Preservar isso é preservar nossa identidade, nossa memória e criar uma economia criativa baseada no patrimônio.”
Caminhos possíveis
Apesar da complexidade, os participantes da audiência demonstraram disposição para buscar saídas. Foram citadas possibilidades como acordos de cooperação, articulações com o governo federal e estadual, parcerias com universidades e organizações culturais.
Uma próxima etapa deve envolver reuniões técnicas com a Prefeitura, e especialistas para avaliar a viabilidade de um projeto conjunto.
“É preciso vontade política, planejamento e uma gestão responsável. O que está em jogo é o futuro do nosso passado”, resumiu Leandro.
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