
Projeto promove formação de arte-educadores e propõe ações inclusivas por meio do Hip-Hop
No último dia 28 de julho, o Coletivo Conexão Zulu concluiu a primeira etapa do projeto Hip-Hop na APAE, uma iniciativa que leva a potência dos elementos do Hip-Hop para dentro da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Ouro Preto. As atividades aconteceram na Casa Estrela, em Mariana, reunindo nove arte-educadores da cena cultural local em um ciclo de quatro oficinas de Formação Pedagógica, mediadas pela pesquisadora e educadora social Luana Brunely.

O projeto tem como objetivo envolver os estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da APAE em oficinas de RAP, Graffiti, DJ/MC, Dança de Rua e Conhecimento: os cinco elementos do Hip-Hop. A proposta busca estimular a expressão artística e criativa, fortalecer a autoestima e promover o debate sobre temas sociais urgentes, como racismo estrutural, violência de gênero, capacitismo e inclusão.
Durante essa etapa inicial, foram definidos três módulos temáticos, que nortearão as oficinas com os estudantes da APAE:

“O primeiro módulo vai trabalhar a literatura marginal a partir do repente, da improvisação, o quanto isso está relacionado ao ‘jeitinho brasileiro’, ao uso da criatividade para subverter a realidade e criar novos caminhos. No segundo módulo, abordaremos a performance, a estética e a vestimenta, tendo a dança como ponto de partida. Já no terceiro, trabalharemos com o desenho a partir da xilogravura, do grafite e do pixo, amarrando todos os aprendizados para, no final, construirmos um cordel ou zine coletivo para distribuir na mostra final”, explica Luana Brunely, que também coordena o projeto.
Brunely destaca ainda que as propostas foram pensadas para aproximar o Hip-Hop de uma linguagem acessível e inclusiva:
“Para as oficinas, pensamos o Hip-Hop dentro de um contexto mais brasileiro. Por isso, utilizamos o cordel, que dialoga com a literatura marginal e com a arte popular. Essa forma de comercializar arte em espaço público se conecta diretamente com a cultura do grafite”, afirma. As oficinas propõem que a cultura periférica dialogue com a realidade das pessoas com deficiência, colocando-as como protagonistas de suas próprias narrativas. Ao longo de três meses, estão previstos seis encontros, que culminarão em uma apresentação pública, aberta à comunidade escolar, familiares e à população de Ouro Preto.”
Para o integrante do coletivo e proponente do projeto, Natanael Marques, a experiência tem sido de construção coletiva:
“Estar à frente do projeto tem sido uma troca constante. A gente não vai só pra ensinar, mas também pra aprender com os alunos, com as vivências e histórias que eles trazem. O que move o Coletivo Conexão Zulu é justamente isso: devolver pra sociedade tudo que aprendemos quando escolhemos o Hip-Hop como estilo de vida. É uma cultura que ensina a respeitar, a conviver e a construir junto. Com esse projeto, nosso maior objetivo é criar um espaço de expressão, onde a gente possa apresentar um pouco da cultura Hip-Hop e, ao mesmo tempo, aprender com cada um que participa “, conta.
O projeto se inspira no símbolo africano Nea Onnim, um adinkra que representa a busca pelo conhecimento. Esse valor orienta a criação de planos de aula inclusivos, criativos e conectados com a linguagem da periferia e com as realidades dos estudantes. A coordenação também é compartilhada com Paulo Rogério, e o time de arte-educadores conta com Linda Viana, Lucas Pinduca, Gabi Augusta, Mateus Morais e Vitor Rocha, além de Mirian dos Santos, que responde pela área de comunicação.
Criado em 2023, o Coletivo Conexão Zulu é formado por artistas, educadores e produtores culturais periféricos de Mariana e Ouro Preto. Atua com oficinas arte-educativas, projetos culturais e pesquisa acadêmica, utilizando os cinco elementos do Hip-Hop como ferramentas de transformação social e ocupação de espaços. Entre os pilares do grupo, estão o enfrentamento ao racismo, o incentivo à produção cultural da periferia e a valorização das pedagogias de rua na educação de crianças, adolescentes e jovens das duas cidades.
Com o encerramento da formação pedagógica, o projeto entra agora na fase prática com os estudantes da APAE, fortalecendo o Hip-Hop como instrumento de educação, inclusão e resistência.
O projeto “Hip-Hop na APAE” teve início em 2024, quando o Coletivo Conexão Zulu, em parceria com o baterista e arte-educador Lucas Egg, promoveu quatro oficinas sobre os cinco elementos do Hip-Hop com estudantes do EJA da instituição. Outra ação foi realizada pelo Projeto Soma, nos dias 29 e 30 de agosto do mesmo ano, em parceria com o Coletivo e outros
grupos da cena underground da região. A Semana da Pessoa com Deficiência teve resultados marcantes:

“O projeto surgiu a partir de um contato que tivemos com a instituição de Ouro Preto em 2024, quando oferecemos algumas oficinas durante a Semana da Pessoa com Deficiência. No final daquela experiência, os próprios alunos nos pediram para voltar mais vezes, e aquilo nos marcou muito. Em 2025, decidimos retornar, reforçando nossa crença de que a cultura Hip-Hop tem um poder enorme de transformar, cativar e incluir”, conclui Natanael Marques.
Foto: Júlia Moreira
Ficha Técnica
Coordenação Geral: Natanael Marques da Silva Coordenação Financeira: Paulo Rogério de Lima Junior Coordenadora Pedagógica: Luana Brunely da Silva Comunicação: Mírian dos Santos Neves
Oficineiros: Linda Inês Neiva Viana, Lucas Egg Serra, Gabriela Aparecida Augusta de Deus, Matheus Henrique Ferreira de Moraes, Vitor Rocha Damasceno
Redatora do Projeto: Júlia Ferrari
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