
A ONG Zeladoria do Planeta foi suspensa preventivamente do CODEMA de Mariana. Segundo informações que o jornal O Espeto recebeu a decisão foi feita em reunião no dia 21 de outubro de 2025, em razão dos fatos supostamente relacionados à Operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal, que apura supostas irregularidades em processos de licenciamento ambiental.
Os demais integrantes do CODEMA Mariana diante da gravidade dos fatos trazidos a público com a Operação Rejeito e com o intuito de resguardar a integridade, transparência e imparcialidade das deliberações do Conselho, decidiram pela suspensão cautelar da entidade ONG Zeladoria do Planeta até a devida apuração e esclarecimento dos fatos.
Entenda:
CODEMA:
O CODEMA, Conselho Municipal de Meio Ambiente de Mariana, é um importante órgão colegiado, composto de forma paritária por representantes do poder público e da sociedade civil, com funções consultivas, normativas e deliberativas. na administração pública, cabendo a ele liberar ou vetar análises sobre licenças ambientais, por exemplo sobre mineração, pesquisa, aterro, abertura de estradas, inicio de atividade de exploração mineral, além de fiscalizar as atividades pertinentes. O CODEMA é ligado a Secretaria Municipal de Meio Ambiente da Prefeitura. A ONG Zeladoria do Planeta fazia parte do CODEMA de Mariana.
OPERAÇÃO REJEITO:
A Operação Rejeito da Polícia Federal investiga a corrupção no governo enquanto sistêmica, ou seja, enraizada no sistema de gestão pública em Minas Gerais. Investiga a forma de algumas mineradoras que preferiram agir fora da legalidade, comprando licenças ambientais através do suborno e manipulando dados. Operação Rejeito ainda está em andamento e envolve diversos atores, públicos e privados.
O QUE DIZ A AMIG:
Leia nota da AMIG: “A Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (AMIG Brasil) manifesta seu mais veemente repúdio a mais um esquema criminoso no setor mineral revelado pela Polícia Federal que resultou na prisão do diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM), Caio Mario Seabra. Para a AMIG Brasil, é “inaceitável e vergonhoso que um dos principais setores econômicos do país esteja no centro de mais um escândalo dessa magnitude, envolvendo o órgão regulador, o Governo do Estado de Minas Gerais e diversas outras instituições públicas.”
A operação Rejeito, que expôs uma organização criminosa dedicada à fraude de licenças ambientais, e, portanto, a mais uma operação ilegal de extração mineral, como também de pagamento de propinas, cumpriu 22 ordens de prisão temporária e 79 mandados de busca e apreensão em Belo Horizonte (MG) e outras regiões do estado. Entre os presos está também Rodrigo de Melo Teixeira, ex-diretor da Polícia Federal e atualmente vinculado à Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), suspeito de participação ativa no esquema.
Para a AMIG Brasil, o caso é um reflexo direto da fragilidade estrutural e da ausência de fiscalização efetiva no setor mineral, que tem permitido a proliferação de práticas ilícitas e prejudicado os municípios e Estados mineradores e ao país como um todo. Marco Antônio Lage, presidente da associação e prefeito de Itabira (MG), relata que o caso é mais um reflexo da falência estrutural da ANM e da falta de fiscalização efetiva no setor mineral. “Mais um dia triste e indignante para a mineração no Brasil. A ANM, que deveria ser um órgão regulador, fiscalizador e fomentador, se tornou um símbolo de inércia e permissividade. Essa omissão é o que alimenta a corrupção, os crimes ambientais e a exploração predatória que assolam o setor há décadas. Não há como o Brasil avançar com um setor mineral tão importante enquanto ele estiver mergulhado em irregularidades sistêmicas e capturado por interesses privados”, afirma Marco Antônio Lage.
Para a AMIG Brasil, o que foi divulgado na última quarta-feira é o resultado de anos de descaso do Governo Federal que não permite estruturação da ANM, e esta, não fiscaliza, não regulamenta e deixa o lado privado da mineração dar as cartas. “É inadmissível que, inclusive cargos estratégicos sejam usados para beneficiar empresários e políticos em detrimento do interesse público, enquanto os municípios mineradores, estados e o país acumulam prejuízos bilionários”, completa Lage.” Fim da nota.
Foto: divulgação Controladoria Geral da União