
Criada em 1866, a Medalha em Homenagem do Exército à Armada do Brasil é um dos mais expressivos símbolos de reconhecimento aos militares brasileiros que atuaram na Guerra do Paraguai (1864–1870). O artefato, cunhado pela Casa da Moeda, teve sua venda destinada a beneficiar o Asilo de Inválidos da Pátria, instituição voltada ao amparo dos soldados mutilados e incapacitados pelo conflito.
O anverso da medalha traz o busto de Dom Pedro II voltado para a esquerda, ladeado por uma legenda circular interrompida na parte superior. No reverso, figuram as Armas do Império do Brasil, assentadas sobre troféus do Exército e da Marinha — um conjunto simbólico que reforça a união das forças armadas brasileiras no esforço de guerra.
A criação da medalha e do Asilo de Inválidos refletia uma preocupação humanitária diante da dura realidade vivida por milhares de combatentes feridos. Muitos deles, desamparados após a guerra, recorreram à mendicância e à caridade pública. Para oferecer-lhes amparo e dignidade, o Asilo dos Inválidos da Pátria foi fundado em 1868, na Ilha de Bom Jesus (atual Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro).
Na cerimônia de inauguração, o Imperador Dom Pedro II compareceu acompanhado da Imperatriz Teresa Cristina, da Princesa Isabel e do Conde D’Eu. A recepção, descrita por Manuel da Costa Honorato, foi marcada por solenidade e emoção: “Às 9h30 da manhã era recebido o Imperador com o Hino Nacional, muitas palmas, repiques de sinos e salvas… além de sua família, estavam presentes ministros de Estado, autoridades eclesiásticas e oficiais de navios de guerra americanos, franceses, ingleses e espanhóis.”
Durante o evento, Dom Pedro II fez questão de afirmar que os verdadeiros homenageados eram aqueles homens mutilados pela guerra, símbolos do sacrifício e da bravura nacional. O Corpo dos Inválidos da Pátria, composto por 1.339 oficiais e soldados, era formado, em sua maioria, por homens pobres e de origem humilde.
Mais do que uma honraria, a medalha de 1866 representa um marco de solidariedade e reconhecimento do Império do Brasil aos que lutaram e sofreram em nome da pátria uma lembrança de que, mesmo nos tempos de guerra, o valor humano deve ser preservado.
Fonte: “Caminhando em Silêncio /As pessoas com deficiência na História do Brasil”, de Emílio Figueira.
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