Multidão percorre as ruas de Mariana na 8ª Romaria das Águas e da Terra da Bacia do Rio Doce

    Fotos Elcio Rocha.

    O encontro teve como tema “10 anos do crime: memória, justiça e esperança”, em referência ao rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, ocorrido em novembro de 2015.

    O arcebispo de Mariana, Dom Airton José dos Santos, destacou a importância da Romaria como expressão concreta da fé que se compromete com a vida. “A Romaria das Águas e da Terra é uma celebração da esperança que brota mesmo em meio à dor. Somos chamados a cuidar da casa comum e a caminhar juntos em defesa da criação e da dignidade humana”.

    Mariana recebeu domingo dia 09 de novembro de 2025 a 8ª Romaria das Águas e da Terra da Bacia do Rio Doce, que reuniu romeiros de diversas dioceses da Arquidiocese de Mariana.

    A Romaria, símbolo de fé, resistência e compromisso com a vida, destacou a importância da luta das comunidades atingidas e a defesa dos rios e territórios da região. Neste ano, o evento também reforçou o chamado por justiça socioambiental e pela reparação integral dos danos causados ao longo da bacia do Rio Doce.

    Durante a celebração, o bispo da Diocese de Nossa Senhora do Livramento – Bahia, e Bispo  auxiliar de Belo Horizonte,  referencial para a ecologia integral da CNBB, Dom Vicente Ferreira, ressaltou que a Romaria é um ato de fé e de denúncia. “Carregamos conosco as dores dos atingidos e a esperança que nasce da resistência do povo. Dez anos depois, continuamos clamando por justiça, porque a vida vale mais do que o lucro”, afirmou.

    O arcebispo de Mariana, Dom Airton José dos Santos, destacou a importância da Romaria como expressão concreta da fé que se compromete com a vida. “A Romaria das Águas e da Terra é uma celebração da esperança que brota mesmo em meio à dor. Somos chamados a cuidar da casa comum e a caminhar juntos em defesa da criação e da dignidade humana”.

    O Bispo de Colatina-ES, Dom Lauro Sérgio Versiani Barbosa, também reforçou a dimensão pastoral e profética do encontro. “Reunir o povo em Romaria é reafirmar o compromisso da Igreja com a vida, com os pobres e com a casa comum. Que essa memória se transforme em força para continuar lutando por um mundo mais justo e sustentável”, afirmou.

    O bispo de Sete Lagoas, Dom Francisco Cota de Oliveira, lembrou que a dor do Rio Doce é símbolo das feridas do planeta. “Cuidar da água é cuidar da vida. A Romaria é um grito que vem das comunidades, uma oração que pede conversão ecológica e compromisso com os mais vulneráveis”, disse o bispo.

    O cantor e compositor Zé Vicente, que conduziu momentos de canto e oração, lembrou a importância da arte como expressão da esperança. “Cantar é também uma forma de rezar e de resistir. Nossa música se une ao clamor dos rios, das águas e dos povos que não desistem de sonhar com a justiça”.

    A animação no carro de som ficou por conta do deputado estadual Leleco Pimentel, na foto ao lado de Aída Anacleto, ex-vereadora de Mariana. O deputado Leleco conduziu os cânticos e as falas durante o trajeto.

    A Romaria também contou com a presença de Padre Marcelo Pároco do Barro Preto e Bento Rodrigues em Mariana, do deputado federal Padre João, da vereadora Gilsa, de Governador Valadares, do vereador Pedro Sousa, de Mariana, e da ex-prefeita Elisa Costa, de Governador Valadares, reforçando a união de lideranças políticas e comunitárias em defesa da vida e da justiça socioambiental.

    A realização da Romaria em 2025 ganha ainda mais relevância diante da COP 30, que acontece no Brasil, em Belém do Pará, nessa semana. O encontro dos povos e das águas em Mariana ecoa como um apelo à comunidade internacional por ações concretas de enfrentamento à crise climática e por um novo modelo de desenvolvimento que respeite a natureza e os direitos humanos.

    A Romaria contou ainda com a presença de movimentos sociais, pastorais e organizações populares, como o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a Comissão Pastoral da Terra (CPT), PAB – Pastoral Afro Brasileira, Cáritas Brasileira, as pastorais sociais, grupos de juventude, artistas populares, comunidades tradicionais e Quilombolas, atingidos de toda a Bacia do Rio Doce. Unidos pela fé e pela esperança, os participantes reafirmaram o compromisso de continuar lutando por memória, justiça e pela recuperação dos territórios feridos pelo crime da lama, através da “Carta de Mariana”.