
Por Helena Paz
Neste sábado (08/12/2025), a exposição “Ouro, Sangue e Suor” inaugurou em um cenário de profundo significado: o interior de uma mina descoberta no ano passado em Ouro Preto.
A ideia, concebida pelo artista plástico Felipe Matias, foi trazer suas obras para as entranhas da terra, criando um diálogo direto com a história material da cidade.
Após análises de estrutura, a mina foi aberta ao público em 2024. As obras de Matias abordam a violência colonial, a ancestralidade negra e a recuperação do protagonismo negro no Barroco – uma contribuição frequentemente apagada pelas narrativas históricas coloniais.

O local da exposição não é um mero detalhe, mas parte central da proposta. A mina, espaço historicamente cercado de sofrimento durante o ciclo da escravidão, é agora resignificada com arte e cor.
Essa escolha do local da exposição carrega um potente simbolismo de transformação e memória. A motivação pessoal do artista, como ele explica, vem da vontade de revelar as contradições da cultura brasileira, iluminando suas complexidades e histórias silenciadas.
“Todas as telas foram impermeabilizadas pra não sofrer com a umidade, mas eu acredito que esse tempo que elas vão estar aqui na mina, e toda essa degradação que a umidade vai acabar fazendo nelas, vai fazer parte da história dessas telas”, disse.
A exposição ficará aberta à visitação até 14 de dezembro na Rua dos Paulistas, 295, Ouro Preto.