Você já teve dor de cabeça de sol, ventre virado, mau olhado, difruço, espinhela caída, nó nas tripas, quebranto, susto, cobreiro, e claro se torcer o pé, só “cozer” ? Essas e muitos outras curas são atendidas pelas benzedeiras e benzedeiros.

Mariana foi a primeira Vila e a primeira cidade de Minas Gerais, foi o primeiro bispado e onde construi-se a primeira Igreja. Naquela época iniciou-se Minas Gerias e muitos garimpos surgiram pelo território atraindo grande número de pessoas, que se movimentam de acordo com a descoberta e exaustão de novos garimpos e minas. Onde as minas eram mais abundantes e duravam mais apareciam comerciantes, religiosos, pedreiros, tropeiros, enfim, logo vinham as autoridades para organizar as vilas erguindo câmaras e cadeias, trazendo a lei.
Nessa época não havia recursos médicos, cabendo aos recém chegados as opções : Fé e Folha. Era através de chás, rezas e benzições que a população buscava cura para suas doenças.

As benzedeiras eram muitas e passavam conhecimento adquirido pela experiência e pelo contato com os índios, que usavam muito as ervas e também rezas.
Dona Chiquita, foto acima, que infelizmente não está mais entre nós, foi um grande personagem na região muito procurada pelas pessoas que buscavam por meio da benzição, rezas, simpatias, curas e também sorte. Sem nunca cobrar nada para atender.
Fazia parte da realidade do povo várias superstições para cuidar da saúde, tanto para curar como para evitar doenças.
Essa mistura ainda considera-se persiste até hoje, quando atribuímos a determinados santos certas especialidades médicas, por exemplo, Santa Luzia cuida dos olhos, São Brás da garganta, São Longuinho da memória, etc.

Há também santos que fazem favores, atendendo pedidos, por exemplo, rezar para São Brás é para garganta, Santo Antônio para casar, São Pedro para entrar no céu, Santa Bárbara para chuva e raios, São Longuinho para memória, São Benedito é para dar saúde e protetor dos cozinheiros, Santo Onofre para atrair dinheiro, Santa Rita de Cássia protetora das viúvas. Cada profissão passou a ter um protetor, rezar para o santo ou santa era e é até hoje uma forma que usamos para pedir graças.
A pessoa já nascia com seu santo protetor ! Tendo seu nome escolhido pelo santo do dia! Se nasceu no dia 12 de junho seu nome seria Onofre ou Paula, se no dia 13 de junho Antônio ou Antônia ! Há quem segue a Folhinha de Mariana para ver o nome do santo do dia para batizar o filho.
E nessa cultura temos ainda doenças que são causadas pragas, por olho gordo, inveja, e para isso temos ervas, chás e unguentos para cada tipo, por exemplo; a arruda serve para espantar mau olhado ou olho gordo, mas serve também para espantar ratos e insetos.
Dor de cabeça de sol, ventre virado, mau olhado, difruço, espinhela caída, nó nas tripas, quebranto, susto, cobreiro, e claro se torcer o pé, só “cozer”, e muitos outros. Todos atendidos pelas benzedeiras.
Essa cultura volta com mais força em datas especiais como na quaresma e no ano novo, quando as pessoas procuram as benzedeiras, para se benzer para entrar no ano novo com o pé direito !
Durante a época da Inquisição cultura da “Fé e Folha” essas pessoas que tinham esse saber antigo foi duramente combatidos e perseguidos, acusados de feiticeiros e bruxos, muitas pessoas foram até presas e algumas mandadas Lisboa.
As benzedeiras e benzedeiros estão cada vez mais difíceis de achar com avanço dos remédios de caixinha e exames. Eles representam esse elo cultural entre o passado e o presente, sincretismo religiosos, com orações, terço, e ervas, nos lembram dos primórdios da colonização e dos costumes que atravessam épocas.