Janeiro e o branco: o que o calendário e as cores dizem sobre nossa saúde mental

    Por: Domênica Santos Chaves

    Janeiro ocupa um lugar singular no calendário. É quando metas são revistas, projetos são retomados e a ideia de mudança ganha força. Para muitos, é um mês de recomeços, um tempo em que conseguimos nos colocar em primeiro plano. Aqui, o tempo não é apenas cronológico; ele carrega um valor simbólico. É nesse ponto que o calendário começa a falar da nossa saúde mental, ao nos possibilitar olhar para nossas dores e desejos e, a partir disso, pensar o que pode vir adiante.

    Costuma-se dizer que a vida é uma oportunidade, uma folha em branco entregue a cada um de nós. Nessa folha, escrevemos a nossa história. E ela pode, sempre que necessário, ser lida, relida, ressignificada e escrita de novo. O branco, nesse sentido, não apaga, mas abre espaço. Ele sinaliza a possibilidade de um começo.

    Tempo e cor se encontram, então, não como promessa de apagamento, mas como um cenário propício para transformações que exigem trabalho psíquico.

    Do ponto de vista da saúde mental, há um risco em interpretar o recomeço como ruptura total. Muitas dores surgem justamente da exigência de começar de novo como se nada tivesse existido antes. Algumas marcas permanecem e ignorá-las não as faz desaparecer. O adoecimento psíquico, muitas vezes, não vem da falta de mudança, mas da impossibilidade de elaborar o que foi vivido.

    Recomeçar, nesse sentido, não é apagar o passado, mas se reposicionar diante dele. Não se trata de inaugurar uma nova história, e sim de escrever de outra forma aquilo que insiste em se repetir. Seja com caneta permanente ou com lápis e borracha, o que se escreve é sempre a vida em curso com seus limites, suas marcas e suas possibilidades.

    Talvez o Janeiro Branco não nos convoque a começar do zero, mas a reconhecer que todo começo se esconde no modo como nos reposicionamos diante do que já foi vivido. Cuidar da saúde mental é, também, aprender a recomeçar sem apagar, sem negar, mas se implicando.

    E se o começo não estivesse no calendário, mas na sua disponibilidade de se escutar agora?

    É a partir daqui que inauguro este espaço de escrita, convidando você a acompanhar reflexões que atravessam o cotidiano, a clínica e a vida. 

    Que o cuidado com a saúde mental não se limite a um mês, mas encontre lugar nos dias que seguem.

    Por isso estou aqui.

    Insta: @domenica.psi

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