Violência contra a mulher é tema de roda de conversa com Barbara Lobo na FAOP

    No mês dedicado à luta pelos direitos das mulheres e em um contexto marcado pelo aumento
    da violência contra mulheres, dos casos de feminicídio e pela circulação massiva de
    conteúdos misóginos nas redes sociais, a Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop) promove
    uma roda de conversa com a professora, escritora e advogada Bárbara Lobo, da Universidade
    Federal de Ouro Preto (Ufop).
    A atividade será realizada na próxima quinta-feira (12), das 14h às 16h, e integra a
    programação do Mês da Mulher da instituição. O encontro pretende fomentar o debate sobre
    violência contra a mulher, feminicídio e sobre a Política Nacional de Cuidados, destacando
    ferramentas de proteção e de garantia da vida e dos direitos das mulheres.
    Escritora, professora e advogada, Bárbara Lobo é doutora e mestra em Direito pela PUC
    Minas e realizou pós-doutorado em Ciências Sociais pelo Centro de Estudos Sociais da
    Universidade de Coimbra. Atualmente, é professora da Ufop, leciona também na PUC Minas
    e atua como professora da Escola Brasileira de Direitos das Mulheres. Autora dos livros
    “Horizonte” (2025), “Direito, Sexo e Trabalho” (2023), “Estrela” (2020) e “O Direito à
    Igualdade na Constituição Brasileira” (2013; 2a ed. 2016), a pesquisadora tem uma trajetória
    dedicada ao estudo e à defesa dos direitos das mulheres. “É urgente e necessário conversar
    incessantemente sobre formas de prevenção e enfrentamento das violências contra as
    mulheres, especialmente após a aprovação da Política Nacional de Cuidados em que o
    cuidado é um direito fundamental, consideradas todas as desigualdades do exercício e do
    trabalho de cuidar e ser cuidada”, destaca a professora.
    Entre os temas abordados na roda de conversa estão instrumentos legais e políticas públicas
    voltadas à proteção das mulheres. A Lei Maria da Penha (Lei no 11.340/2006), estabelece
    mecanismos para prevenir e combater violências doméstica e familiar contra a mulher, além
    de prever medidas protetivas e políticas de assistência às vítimas. Já a Lei do Feminicídio
    (Lei no 13.104/2015) incluiu no Código Penal o feminicídio como circunstância qualificadora
    do homicídio, reconhecendo os assassinatos cometidos por razões da condição de gênero. A
    partir da Lei no 14.994/2024, o feminicídio passou a ser tipificado como crime autônomo,
    com penas mais graves e medidas mais rígidas para prevenir e coibir a violência de gênero.

    Também será discutida a Política Nacional de Cuidados, instituída pela Lei no 15.069,
    sancionada em dezembro de 2023. A política garante o direito ao cuidado entendido como o
    direito de cuidar, ser cuidado e ao autocuidado e estabelece que o Estado deve implementar
    ações e políticas públicas voltadas à organização e ao fortalecimento das redes de cuidado no
    país.
    Para Bárbara Lobo, discutir essas questões é fundamental para enfrentar as diferentes formas
    de violência contra as mulheres. “Nenhuma mulher está ilesa às diversas expressões da
    misoginia. Desenvolver redes coletivas de cuidado das mulheres é fundamental, pois apenas
    as medidas previstas na Lei Maria da Penha têm se mostrado insuficientes”, afirma a
    professora.
    O presidente da Faop, Wirley Reis, ressalta a importância de promover espaços de reflexão e
    diálogo dentro da fundação. “Receber a professora Bárbara Lobo na Faop é motivo de grande
    honra para nós. Trata-se de uma renomada pesquisadora e uma importante defensora dos
    direitos das mulheres, cuja trajetória fortalece e inspira o debate público sobre temas urgentes
    da nossa sociedade. A possibilidade de proporcionar essa troca tão rica com nossos
    estudantes, servidores e com a comunidade é extremamente valiosa”, reitera Wirley.
    Ainda segundo o presidente, dar espaço e visibilidade às discussões relacionadas à proteção
    da vida e aos direitos das mulheres é um passo fundamental para coibir os crimes de
    feminicídio, fortalecer as redes de proteção e informar a população sobre seus direitos e
    deveres. “Discutir os direitos das mulheres é uma tarefa que deve ser assumida por todas as
    instituições, em todos os espaços públicos e, especialmente, por aqueles ligados à educação”,
    reforça.
    A roda de conversa é aberta ao público e busca ampliar o debate sobre a violência de gênero,
    reforçando a importância da informação, da prevenção e da construção coletiva de redes de
    cuidado e proteção às mulheres.
    Serviço
    Roda de conversa: Violência contra a mulher, feminicídio e Política Nacional de
    Cuidados
    Data: 12 de março

    Horário: 14h às 16h
    Local: Auditório Vinicius de Moraes – Faop
    Canais de denúncias de violência contra a mulher
    Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180
    Polícia Municipal – 153
    Polícia Militar – 190
    Ouro Preto
    Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM)
    Rua Professor Geraldo Nunes, no 554, bairro Vila Itacolomy
    Telefones: (31) 3552-6800 | (31) 9 7595-3335
    Mariana
    Núcleo de Atendimento Especializado à Mulher – Delegacia de Polícia Civil
    Avenida Getúlio Vargas, Centro

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