
O Ribeirão do Carmo, que corta a histórica Mariana, carrega em suas águas uma trajetória que mistura desenvolvimento econômico, impactos ambientais e desafios persistentes.
O passado deixou marcas no Ribeirão do Carmo, desde a época colonial há exploração de ouro, e nas últimas décadas houve pela exploração por dragas e garimpo clandestino com despejo de mercúrio.
Porém a atuação mais nociva foi o despejo de rejeito tóxico da antiga ALCAN Alumínio do Brasil, que praticamente matou toda vida no rio nas décadas de 1970 a 1990 ! A produção de alumínio, embora importante para a economia local, deixou um legado ambiental de morte e destruição da vida no rio.
Especialistas apontam que, naquele período, houve lançamento de resíduos industriais e alteração das características naturais da água, contribuindo para aumento de metais e substâncias químicas no leito do rio; mudanças na coloração e turbidez; redução da vida aquática em determinados trechos.
Esse histórico se soma a outros fatores, como o garimpo e o crescimento urbano desordenado, com despejo de esgoto in natura de Ouro Preto, Passagem e Mariana, e outras cidades em toda sua extensão.
Situação atual revela que a qualidade da água ainda comprometida. Ainda hoje recebe rejeito industrial da fábrica de alumínio de Ouro Preto.
Hoje, o Ribeirão do Carmo apresenta, em geral, qualidade de água classificada entre regular e ruim, principalmente nos trechos urbanos de Mariana.
Levantamentos e análises recentes indicam: presença elevada de coliformes fecais, associada ao lançamento de esgoto; níveis acima do recomendado de nutrientes e alguns metais; água com turbidez e coloração alteradas em diversos pontos.
Na prática, o Ribeirão, em áreas mais urbanizadas, tem características próximas às de um canal de escoamento de efluentes, o que compromete o uso de suas águas, tanto para pessoas quanto para animais.
Diante desse cenário, especialistas e órgãos ambientais são categóricos: A água do Ribeirão do Carmo não é recomendada para consumo humano direto e não deve ser utilizada para preparo de alimentos ou higiene doméstica.
O uso para animais também não é indicado sem tratamento adequado
O principal risco está na presença de microrganismos e possíveis substâncias tóxicas, que podem causar doenças tanto em pessoas quanto em animais.
Desafio permanente
A recuperação do Ribeirão do Carmo depende de ações contínuas, como:
ampliação do tratamento de esgoto de Ouro Preto, Passagem e Mariana
fiscalização ambiental mais rigorosa dos rejeitos despejados no curso do rio.
recuperação de áreas degradadas que causam erosões
educação ambiental da população para não continua a fazer do rio depósito de lixo e descarte de animais mortos.
Enquanto isso, o ribeirão do Carmo segue como um alerta visível: um patrimônio natural que ainda busca se recuperar de décadas de pressão ambiental e que exige cuidado para que volte a cumprir plenamente seu papel ecológico e social.
Enquanto isso não acontece continua a ser um risco a saúde humana para os animais.