Continuar na dependência da mineração é um ato irresponsável

    Editorial edição de Ouro Preto nº 901

    A dependência da mineração pode até ser compreensível hoje, mas se torna irresponsável quando não há um plano claro de mudança. O verdadeiro risco não está em abandonar a mineração, mas em continuar refém dela. Porém a palavra diversificação fica bonita em cima de palanques e nos planos de governo, mas na realidade o que acontece é o aumento do custo de vida da população, como por exemplo pagar água.
    No mito grego, Tântalo, rei da Frígia, roubou néctar e ambrosia que eram considerados alimentos divinos para dar aos mortais e serviu num banquete carne humana aos deuses. Como castigo para suas atrocidades os deuses o puniram, foi colocado acorrentado num lago com água próximo ao pescoço e com frutas próximas a sua cabeça. Quando tinha sede e ia beber, a água ia baixando deixando-o com sede, quando queria comer e estendia a mão para pegar frutas, os galhos das árvores subiam com forte vento ! Com fome e sede tão perto da comida e bebida !
    Esse mito nos faz refletir sobre as cidades mineradoras, como Ouro Preto, Mariana, Catas Altas, Congonhas, e outras do quadrilátero ferrífero de Minas.
    Cercados por montanhas de ouro e ferro, as cidades continuam com problemas crônicos sem sustentabilidade econômica. Apesar de tentativas, a economia é profundamente ligada a mineração, sem ela as prefeituras não se sustentam.
    Sem um fundo de reserva não se planeja um futuro, e muitas vezes o prefeito que assume encontra dívidas de herança da administração anterior !
    A mineração, que moldou a origem das cidades e sustentou ciclos de riqueza desde o período colonial, continua sendo o principal motor econômico — ao mesmo tempo é tratada como vilã, como problema.
    A mineração é regulada, autorizada, licenciada e fiscalizada pelas prefeituras e governo Estadual de Minas, ou seja, querem colocar a culpa na mineração pelos problemas, pela devastação ambiental, pelo aumento da população flutuante, pelo crescimento desordenado.
    Até quando as cidades mineradoras vão depender majoritariamente de uma atividade finita, sujeita a ciclos de alta e queda, além de riscos ambientais e sem previsão de um fundo para o futuro?
    A história recente de Minas Gerais mostra que essa dependência cobra um preço alto. Desastres, instabilidade econômica e esgotamento de recursos não são hipóteses distantes — são precedentes concretos.

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