Mais de 11 milhões de pessoas não concluíram educação básica no Estado
    Comissão de Educação realizou audiência pública nesta quinta (dia 21) para debater situação da EJA

    Quase 1 milhão de analfabetos e outros casos de exclusão desafiam políticas educacionais em Minas.

    Embora reúna mais de 11 milhões de pessoas que não concluíram a educação básica e, dessas, quase 1 milhão que sequer foram alfabetizadas, Minas Gerais tem reduzido a oferta de turmas para Educação de Jovens e Adultos (EJA). Esses foram os principais desafios discutidos durante audiência pública na manhã desta quinta-feira (21/5/26).

    No Plenarinho II, a Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) recebeu estudantes, professores e especialistas, como a coordenadora do Fórum Estadual Permanente de Educação (Fepemg), Analise da Silva. Ela apresentou os números referentes ao contexto estadual.

    De acordo com as estatísticas expostas, 619 escolas municipais estão sem matrículas de EJA. Segundo a análise, o cidadão com direito à EJA é aquele que tem:

    15 anos ou mais de idade e não foi alfabetizado
    15 anos ou mais de idade e não concluiu o ensino fundamental
    18 anos ou mais de idade e não concluiu o ensino médio
    Segundo ela, a alegação da suposta falta de interesse das pessoas mascara os verdadeiros motivos: falta de busca ativa e desconsideração das diferentes realidades estudantis, como residência em área rural e idade. Além de adaptar as ofertas de aulas, seria necessário garantir a assistência suplementar integral, com saúde ocular, nutrição e mobilidade.

    A coordenadora do Fepemg ressaltou que já existem modelos de educação que levam em conta a realidade do mercado de trabalho e a diversidade estudantil. Ignorar boas práticas traz prejuízos econômicos, como a perda de mais de 3% do Produto Interno Bruto (PIB). “A gente perde dinheiro porque não investe na formação de sujeitos”, enfatizou.

    A procuradora da Procuradoria-Geral do Ministério Público de Contas, Cristina Andrade Melo, lamentou os números. “É muito triste nos depararmos com essas estatísticas porque foram pessoas que tiveram o direito negado duas vezes, na época certa e enquanto adultas”, apontou.

    Presidenta da comissão, a deputada Beatriz Cerqueira explicou que solicitou a reunião para aprofundar o debate iniciado durante audiência de monitoramento das metas 8 e 9 do Plano Estadual de Educação (PEE). Conforme ela, os altos índices de exclusão da educação básica estão relacionados às ameaças de fechamentos dos centros estaduais de educação continuada (Cesecs), identificadas em atividades realizadas anteriormente. Fonte: ALMG

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