Quem lucra com a redução da proteção do parque do Itacolomi ?
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Alteração na área de entorno do Parque do Itacolomi, chamada de Zona de Amortecimento foi homologada pela Portaria IEF nº 77, de 22 de novembro de 2021, após aprovação da revisão do Plano de Manejo e até hoje gera debate sobre ocupação urbana e mineração próximo ao parque.
A Zona de Amortecimento (ZA) é uma área que funciona como uma faixa de proteção ao redor do parque e onde atividades humanas devem ser controladas para evitar impactos sobre os ecossistemas protegidos. Quanto menor é a área maior é ameaça ao parque, pois permite ação humana, como loteamentos, mineração, desmatamento.

Segundo levantamento da Associação Mineira de Defesa do Ambiente (AMDA), a revisão reduziu a Zona de Amortecimento do Itacolomi de aproximadamente 51.425 hectares para pouco mais de 10 mil hectares, uma redução superior a 80%.
No entorno do Itacolomi, o próprio processo de revisão do plano de manejo identificou problemas como ocupação desordenada em regiões próximas ao parque, especialmente em áreas de Mariana e Ouro Preto, incluindo localidades como Serrinha, Cabanas e Vila Itacolomi. O documento também registra conflitos relacionados à expansão urbana e à necessidade de maior controle sobre os acessos e usos do entorno do Parque.
A Associação Mineira de Defesa do Ambiente (AMDA) afirma que a medida diminuiu as restrições ambientais sobre áreas próximas ao parque e pode favorecer a expansão urbana e a implantação de novos empreendimentos, incluindo atividades minerárias, desde que submetidas aos processos de licenciamento ambiental.
Outro tema que vem gerando preocupação é o interesse de mineradoras em áreas próximas ao parque. Movimentos ambientais têm alertado para pesquisas minerais e projetos de mineração localizados na zona de amortecimento do Itacolomi, argumentando que essas atividades podem provocar impactos sobre recursos hídricos, biodiversidade e paisagens históricas da região.
Especialistas lembram que o Parque Estadual do Itacolomi protege uma área estratégica para a conservação ambiental da região dos Inconfidentes. O parque abriga nascentes que contribuem para a Bacia do Rio Doce, além de espécies ameaçadas da fauna e da flora, sendo considerado um dos patrimônios naturais mais importantes de Minas Gerais. A pergunta é uma só : o que será deixado para a atual e para as futuras gerações ? Que qualidade de vida gostaríamos de ter ? Quem lucra com a redução da proteção do parque do Itacolomi?

O debate segue mobilizando comunidades, órgãos ambientais, pesquisadores e representantes do setor mineral, em uma discussão que envolve o desafio de conciliar preservação ambiental, direito à moradia e desenvolvimento econômico em uma das regiões mais emblemáticas do patrimônio natural e histórico de Minas Gerais.