
Unidade de Conservação celebra avanços no monitoramento da biodiversidade e na identificação de espécies em uma parceria entre a Vale e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)
No Vale do Jequitinhonha (MG), a Reserva Biológica da Mata Escura mostra, na prática, que ciência, preservação ambiental e participação das comunidades locais podem caminhar juntas para proteger a biodiversidade brasileira. A experiência é resultado de uma Parceria Público-Privada (PPP) entre a Vale e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Administrada pelo ICMBio e contemplada pela Meta Florestal da Vale, a Unidade de Conservação protege cerca de 51 mil hectares de Mata Atlântica em uma região de transição com o Cerrado e abriga aproximadamente 1,3 mil espécies de fauna e flora.
Desde 2022, com o início da parceria, a Vale viabilizou a contratação de monitores e brigadistas, estudos de mapeamento da área, risco de incêndio, inventário florestal e monitoramento da fauna, apoio para realização de eventos, ações de educação ambiental e compra de itens. Mais de 33 mil itens já foram direcionados para a Unidade de Conservação, como roçadeira, computadores, câmeras, ar-condicionado, ferramentas, câmeras trap, para monitoramento de animais, e livros didáticos, por exemplo. A Mata Escura alcançou mais de 22 mil pessoas nas ações de visitação e de educação ambiental desde o início da Meta, com mais de 100 eventos realizados no local desde 2022.

“Nosso acordo com o ICMBio representa um modelo inovador de Parceria Público-Privada. O objetivo da Meta Florestal é proteger e recuperar 500 mil hectares de floresta até 2030 e a Reserva Biológica da Mata Escura é uma das unidades beneficiadas. Para nós, é uma satisfação apoiar uma reserva tão rica em biodiversidade e que, além de um espaço de integração da sociedade com a natureza, é local de pesquisa, inovação e descobertas científicas”, celebra o gerente de Recursos Naturais e Áreas Protegidas da Vale, Márcio Santos Ferreira.
Uma das descobertas mais emblemáticas realizadas na unidade foi o registro da nova espécie para a ciência de opilião “Cajango Ednardoi”, um tipo de aracnídeo identificado durante atividades de monitoramento ambiental realizadas na reserva.
O nome foi escolhido em homenagem a Ednardo Martins, morador do Quilombo da Mumbuca, brigadista e monitor ambiental na Reserva. Foi ele quem fez a descoberta do aracnídeo. Ednardo registrou o animal por fotografia e, em seguida, foi informado de que a espécie era, até então, desconhecida pela ciência. “Nunca imaginei que meu olhar atento me levaria a batizar uma nova espécie”, conta o monitor. “Foi a prova de que o monitoramento constante e o olhar de quem vive o dia a dia da floresta geram ciência de verdade.”
Além de apresentar diferenças morfológicas em relação a outras espécies do mesmo gênero, o Cajango ednardoi ampliou a distribuição geográfica conhecida do gênero Cajango, antes considerado restrito às florestas do interior da Bahia. Foi a primeira vez que o grupo foi registrado em Minas Gerais.
Hoje, além de atuar como monitor contratado com o apoio da Meta Florestal na Rebio Mata Escura, Ednardo utiliza a fotografia como ferramenta de conscientização ambiental. “A fotografia permite que eu tire a biodiversidade de dentro da reserva e a mostre para o mundo, sensibilizando as pessoas por meio da beleza”, explica.
Monitoramento do muriqui-do-norte e descoberta do maior jequitibá da Mata Atlântica
Outra frente importante desenvolvida na unidade é o monitoramento do muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus), maior primata das Américas e criticamente ameaçado de extinção. Foi justamente durante uma dessas expedições científicas de monitoramento dos muriquis que pesquisadores fizeram outra descoberta histórica para a biodiversidade brasileira: o maior jequitibá-rosa já catalogado na Mata Atlântica.
A árvore, localizada na reserva, tem impressionantes 65 metros de altura e mais de cinco metros de perímetro. O exemplar foi encontrado por uma equipe liderada pelo primatólogo Fabiano Rodrigues de Melo, pesquisador da Universidade Federal de Viçosa, durante buscas pelos muriquis-do-norte na floresta.
Para localizar os primatas, os pesquisadores utilizam drones equipados com câmeras termais, tecnologia capaz de identificar diferenças de temperatura na vegetação/floresta. Os troncos de árvores gigantes, como o jequitibá-rosa, retêm calor ao longo do dia e acabam se destacando nas imagens captadas pelos equipamentos.

“A Reserva já havia nos surpreendido com o registro de uma nova espécie de opilião e agora abriga o maior jequitibá-rosa do país. Isso mostra o excelente estado de conservação da nossa biodiversidade”, destacou Márcia Nogueira, gestora da Reserva da Biológica da Mata Escura.
Meta Florestal Vale
Em 2019, a Vale se comprometeu com seis metas de sustentabilidade alinhadas à Agenda 2030 da ONU. Uma delas é a Meta Florestal Vale. A iniciativa prevê a recuperação de 100 mil hectares de áreas e a proteção de outros 400 mil hectares de florestas além das fronteiras da companhia até o final desta década. Esse compromisso voluntário vai além das exigências regulatórias, consolidando-se como uma estratégia inovadora de solução climática liderada pelo setor.
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