
Tempo e Arredores
O Coletivo Olho de Vidro, formado por fotógrafos de Ouro Preto, chega em 2026 à sua 20ª exposição anual consecutiva.
O Coletivo tem como premissa a diversidade do pensar e do olhar, traduzida na surpresa da exposição, na medida em que seus integrantes trabalham sobre o tema proposto, cada qual no seu canto, de forma independente e desconhecida entre si.
Em 2026, participam os fotógrafos Alexandre Martins, Alisson Lessa, Antônio Laia, Cesar Tropia, Heber Bezerra e Mila Damasceno. O Coletivo também traz um espaço dedicado à memória do fotógrafo Eduardo Tropia que integrou o Olho de Vidro desde a primeira exposição.
Os 20 anos de atividade ininterrupta do Olho de Vidro, agora celebrados, foram marcados inicialmente pelos preciosos versos do poeta Guilherme Mansur na primeira exposição, que acabaram por dar o próprio nome e o foco principal do Coletivo.
Além disso, e de forma mais ampla, universal, o ano de 2026 marca os 200 anos da primeira imagem impressa reconhecida pelo mundo: “Vista da janela de Le Gras”, de Joseph Niépce, feita da janela de seu ateliê, na França em 1826, no processo que resultou na invenção da fotografia.
Considerando e celebrando esses dois marcos temporais, o Coletivo traz a exposição “Tempo e Arredores”.
O “Tempo”: substância básica da vida e da fotografia e presente nessas duas referências factuais. Os “Arredores”: na foto de Niépce, a vista da janela de dentro para fora; e no poema de Mansur, quando o “homemciclope”, o fotógrafo, clica Ouro Preto, que está ao se redor.
Temos nessa mostra diferentes dimensões, percepções e contextos de tempo e arredores. Seja dentro, fora ou nos arredores de cada universo. Seja em espaços concretos ou abstratos. Ambientes internos ou externos arquitetônicos, urbanos, naturais ou pessoais; objetivos, subjetivos ou psicológicos; afetivos, culturais ou sociais. Percursos sentimentais, metafóricos, físicos ou históricos. Sempre na inexorável passagem do tempo com suas transformações, desgastes e resiliências. Vemos o tempo supostamente congelado na fotografia que também se desgasta no tempo. Podemos encontrar ruínas, retratos, objetos e alusões. Procuramos fusões, difusões, ilusões de tempo e espaço; experimentações visuais. Encontramos o tempo da própria fotografia. Fotografia do instante já passado e de olhares para o futuro. O nosso tempo e arredores.
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