De animais solitários a companheiros: como a confiança prepara cavalos para uma nova história em Minas Gerais

    Técnicas baseadas no comportamento dos animais ajudam equídeos acolhidos pela Vale a desenvolver confiança e se preparar para uma convivência segura com pessoas

    Antes de colocar o cabresto, a equipe observa. Antes de forçar um movimento, busca estabelecer confiança. E, antes de preparar um cavalo para um novo lar, procura entender quem é aquele animal, sua história e seus limites. É assim que o manejo dos equídeos acolhidos no Centro de Atendimento e Acolhimento Temporário de Animais (CAATA) Batatal, em Barão de Cocais, da Vale, vem sendo conduzido. Atualmente, cerca de 70 animais permanecem no espaço, 10 estão disponíveis para adoção responsável. Desde 2019, mais de 500 cavalos, éguas, burros e jumentos já passaram pelo Centro. Desse total, 426 foram adotados ou retornaram aos seus antigos tutores.

    Desde 2023, técnicas de amansamento racional passaram a fazer parte do trabalho realizado com os animais. A metodologia combina conhecimentos sobre comportamento animal, manejo, treinamento funcional, equitação e cuidados veterinários. O objetivo não é simplesmente ensinar o animal a obedecer a comandos, mas construir uma relação de confiança. Fisioterapia, laserterapia, acupuntura e eletroacupuntura também são utilizadas para promover conforto físico e recuperação.

    “Nosso propósito é respeitar a história de cada animal, recuperar sua confiança e prepará-lo para uma nova etapa de vida, com segurança e bem-estar”, afirma Daiane Kozyrski, coordenadora de Gestão Ambiental da Vale.

    “Amansar vai além da funcionalidade, é preparar o equídeo para uma convivência segura com os seres humanos, abrindo caminhos para uma nova história de parceria e confiança”, explica Anderson Abreu, médico veterinário.

    Na prática, a mudança pode começar por algo simples. Em vez de correr atrás do animal no piquete para colocar o cabresto, os profissionais trabalham para que ele se aproxime voluntariamente. O equipamento passa a ser associado a experiências positivas e previsíveis. Com o tempo, o animal aprende que a aproximação humana não representa uma ameaça.

    A égua Imperatriz, por exemplo, apresentava alta reatividade durante a montaria e ansiedade quando ficava isolada. Com manejo progressivo, treinamento e construção de confiança, passou a apresentar respostas mais previsíveis e menos sinais de ansiedade.

    Já a égua Pérola mostra que reabilitação não significa necessariamente preparar um animal para ser montado. Depois de um acidente ainda jovem, ela ficou com limitações neurológicas e locomotoras que impedem a montaria. Hoje, mantém sua independência de movimento dentro de suas limitações e participa de atividades compatíveis com sua condição.

    Medicina veterinária integrada

    O cuidado também envolve uma abordagem integrada de medicina veterinária. De acordo com a necessidade de cada animal, podem ser utilizados recursos como fisioterapia, laserterapia, acupuntura e eletroacupuntura, que contribuem para o conforto físico e a recuperação.

    “Quando conseguimos reduzir a dor e melhorar o conforto, também criamos condições para que o animal confie mais no profissional e responda melhor ao manejo”, explica a veterinária Maria Alves Carolina Dias, especialista em fisiatria e acupuntura.

    Atualmente, cerca de 34 equídeos participam diariamente de atividades de manejo, treinamento e exercícios adaptados. O trabalho respeita as características e limitações individuais de cada animal e busca ampliar sua autonomia e qualidade de vida.

    Preparação para uma nova história

    Por meio do programa Me Leva Pra Casa, os interessados passam por um processo de adoção responsável que considera as condições da propriedade, alimentação, estrutura de manejo e capacidade de oferecer bem-estar ao animal. O objetivo é que a chegada ao novo lar seja segura tanto para o equídeo quanto para o adotante.

    Como adotar

    Os interessados podem entrar no site vale.com/melevapraca e preencher um formulário de interesse. A adoção pode ser realizada à distância, inclusive por interessados de outros estados.

    Os adotantes recebem suporte veterinário e acompanhamento durante os seis primeiros meses após a chegada do animal ao novo lar. Também existe a possibilidade de o transporte até a residência do novo tutor, em outra cidade ou estado, ser custeado pela Vale.

    Para receber notícias no seu WhatsApp clique aqui
    E para receber notícias da nossa página no Facebook
    Se inscreva no nosso canal do you tube para receber nossas reportagens, clique aqui