
No mês em que comemoramos com alegria e gratidão o centenário do Guarany Futebol Clube, não podemos deixar de mencionar dois irmãos que compuseram a história do Clube de maneira tão marcante deixando-nos um legado que jamais será esquecido; são eles: Francisco Xavier Pacheco, conhecido como “Quito Pacheco” e Antônio Manoel Pacheco Filho, conhecido como “Pacheco”.
Quito Pacheco foi Presidente do clube na década de 70. Ocasião em que também foi Vereador na cidade de Mariana. Organizou as finanças do clube; realizou inúmeras benfeitorias como a ampliação do vestiário e reforma dos banheiros para os jogadores no campo; investiu na divulgação dos eventos esportivos dentre outras ações.

Em 1975, por ocasião do cinquentenário do clube, Quito Pacheco tomou uma decisão inusitada: convidou o Presidente do principal clube oponente da cidade, o Marianense Futebol Clube, Sr. Paulo Aníbal Walter, a participar juntamente com sua diretoria dos eventos comemorativos na própria sede do Guarany. O Sr. Paulo compareceu e soube retribuir amistosamente o convite, organizando recepções ao Guarany na sede do Marianense.
A iniciativa de Quito Pacheco ao se aproximar do principal clube oponente na cidade configurou uma quebra de paradigmas mantidos até ali pelas diretorias dos dois clubes desde a fundação do Guarany. As diferenças não se limitavam às competições, mas se estendiam ao aspecto social e político-ideológico dos seus dirigentes e associados. Quito Pacheco soube superar essas diferenças com muita sabedoria, reduzindo-as a questões secundárias pois, o que importava para ele e para toda comunidade marianense, era a coexistência de dois importantes clubes de futebol onde a juventude era acolhida e iniciada nos caminhos da competição saudável e respeitosa.
Sua postura diplomática e inovadora sinalizava o poder das novas gerações de dirigentes dos dois clubes a partir dali, ganhando notoriedade em um contexto geopolítico de extremismos refletidos no país, que vivia um período de exceção. Contudo, tal contexto não foi capaz de influenciar os Presidentes dos dois clubes na cidade pois, como dissemos, ambos somaram pela ampliação do futebol em Mariana, graças ao primeiro passo dado pelo saudoso Quito Pacheco, enquanto Presidente do Guarany.
O grau de importância histórica e paradigmática da gestão do Quito Pacheco na Presidência do Guarany não passou despercebida pela comunidade acadêmica; vale dizer: tornou-se objeto de estudo do pesquisador e jornalista Felipe Davison Barboza Carneiro resultando no livro “Marianense x Guarany: histórias de rivalidade além das quatro linhas”, de 2014.

Assim como Quito Pacheco, seu irmão Antônio Manoel Pacheco Filho dedicou parte da sua vida ao Guarany Futebol Clube. “Pacheco”, como era conhecido, foi jogador por um tempo e posteriormente Presidente do Conselho Deliberativo do Clube por 60 anos. Era um estudioso do Direito Esportivo e defensor do clube junto à Junta Disciplinar Desportiva (JDD) da Liga Esportiva de Mariana. Ao se destacar como um exímio entendedor do Código Disciplinar Esportivo, outros clubes na cidade e região o requisitavam para defendê-los na cidade de Mariana e até mesmo na capital.
Contribuiu inúmeras vezes juntamente com sua esposa, filhos, nora na organização de eventos comemorativos do clube e confraternizações, servindo saborosas refeições com cuidadosos pratos preparados pela própria família, que sempre abraçou e cultivou, até nossa geração, enorme apreço pelo clube.
Pacheco também foi Ministro da Ordem Terceira de S. Francisco e Vereador da cidade de Mariana na década de 80, chegando a ser Vice-Presidente da Câmara Municipal entre os anos de 1985 a 1986. Mesmo no exercício do mandato, Pacheco não deixou de se dedicar ao Guarany, participando ativamente de todas as reuniões do Conselho e contribuindo incansavelmente com as atividades administrativas do clube. Atualmente, seu filho mais velho Marcos Pacheco, ocupa uma cadeira no Conselho há mais de 20 anos.
Quito Pacheco e seu irmão Pacheco faleceram, respectivamente, em 2006 e 2011. Contudo, o legado que ambos deixaram para a história do Guarany Futebol Clube continua vivo para as novas gerações e assim permanecerá, pois, como diz o historiador Pierre Nora: “A memória é um fenômeno sempre atual, um elo vivido no eterno presente”. A memória e o legado de ambos permanecerão nos corações dos bugres e dos marianenses por muitos e muitos anos!
Vida longa ao Guarany Futebol Clube de Mariana! Parabéns pelo seu centenário! São os votos da Família Pacheco aqui representada pela irmã dos dois ex-presidentes, Josephina Adelaide Pacheco; pelos filhos Marcos Vinícius Dellamore Pacheco, Miriam Dellamore Pacheco e Magaly Dellamore Pacheco Andrade e pelos sobrinhos Ricardo Pacheco da Silveira, Patricia Ferreira Santos Silveira e Luciana Pacheco da Silveira.
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